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Volta do público aos estádios: é o melhor momento?

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Foto: Ivan Storti/Santos FC

A pandemia da COVID-19 transformou o cenário mundial com a imposição de novas medidas sanitárias, como a suspensão de eventos públicos em decorrência do isolamento social. O futebol brasileiro também foi afetado e, em junho de 2020, retornou sem a presença de torcida, meses após o início da quarentena. Agora, em meio à resistência de outros clubes e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o Rio de Janeiro voltará a receber público pagante na partida entre Flamengo e Grêmio, que acontece amanhã no Maracanã, válida pela Copa do Brasil. 

O Estádio Mário Filho divulgou por meio de uma nota que tem consciência da sua responsabilidade com a organização dos eventos com público e com a saúde de todos os presentes. Já foi anunciado o posicionamento de totens de álcool em gel e lixeiras para descarte de máscaras. Além disso, apenas torcedores apresentando ingressos, pulseiras identificando seus setores e o teste negativo de COVID-19 poderão entrar. 

Em janeiro deste ano, o Palmeiras e o Santos já haviam se enfrentado pela final da Libertadores com cerca de 5.000 pessoas nas arquibancadas do Maracanã. A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) conseguiu, em conjunto com a Prefeitura do Rio, a liberação de 10% de público para a partida, porém apenas convidados da instituição puderam comparecer. 

A CBF divulgou, no dia 16 de agosto, um protocolo  de recomendações para o retorno da torcida aos estádios. Dentre as orientações da CBF, o documento considera a situação epidemiológica de cada localidade sede dos estádios onde serão realizadas as partidas, sempre em acordo com as autoridades sanitárias locais, para que os eventos com a presença do público possam ser realizados. 

Gilmara Schueler, fiscal de vigilância de Niterói-RJ, acredita que apesar dos protocolos estabelecidos pela CBF, ainda não é o momento para retornar aos estádios. “Acredito que seria precoce um tipo de atividade como essa, que pode fazer com que haja outro declínio e tenhamos outras variantes. É uma atividade altamente propícia à aglomeração, independente de que vá diminuir o número de pessoas que vão assistir”, disse.

Mesmo com o avanço da vacinação no Rio, com mais de 11 milhões de vacinados com a primeira dose, os números da variante delta estão crescendo e são motivo de preocupação para a volta de torcedores aos estádios. Segundo o Laboratório Nacional de Computação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 96% dos infectados da capital já decorrem da nova cepa. Gilmara explica que o fato do estado ser o epicentro dessa mutação do vírus é mais um motivo apontado contra a volta dos eventos com público. “Ainda estamos com bastante casos de internações hospitalares e não temos a população totalmente imunizada”, completa a fiscal.

Por parte dos torcedores também há divergências acerca da logística das organizadas dentro dos estádios. O presidente da Nação 12 do Flamengo, Rafael Peppa, acredita que o protocolo de distanciamento precisa ser seguido. “Iremos cantar pelo nosso clube de máscara. Mesmo com o afastamento, conseguimos escutar um ao outro”, complementa. Já Amâncio César, ex-presidente da Torcida Organizada do Vasco (TOV), acha que essa é uma questão difícil e que precisa ser muito debatida, mas pontua que ainda não é o momento ideal para a volta. “As torcidas só funcionam com aglomeração. Então eu acho até que deveria ter um pouco mais de cautela e esperar a vacinação chegar a um índice maior”.

Nesta terça-feira (14), Otávio Noronha, presidente do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD), negou o pedido de 17 clubes da série A que visava revogar a liminar que liberou a presença de público nos estádios. De acordo com a decisão, apenas os estados devem negar o comparecimento de torcida nos jogos quando se trata de assuntos relacionados a COVID-19. Diante disso, a participação de torcedores no jogo de amanhã está confirmada, e a tendência é que cada vez mais as arquibancadas brasileiras voltem a encher.

 

Foto de destaque: Ivan Storti/Santos FC

Reportagem: Beatriz Chagas, Clara Glitz, Guilherme Rezende, João Manoel Morais, João Pedro Fonseca, Lucas Guimarães, Maria Clara Garcia, Mateus Rizzo e Ricardo Ferro.

Supervisão: Gabriela Leonardi e Paola Burlamaqui.

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