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Ajuda em meio ao caos: voluntariado na pandemia

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A pandemia da Covid-19 intensificou uma crise econômica e sanitária que o Brasil já vivia, impactando a vida de milhares de pessoas no país. Diante desse cenário, surgiram inúmeros projetos e ações voluntárias para combater a fome, o desemprego e as graves sequelas causadas pelo Coronavírus. 

De acordo com dados da Fiocruz, desde de 2020, mais de 9 milhões de pessoas passaram a lidar com insegurança alimentar e o desemprego já atinge mais de 14 milhões de brasileiros. Estes efeitos motivaram a criação de diversos projetos na cidade do Rio de Janeiro com o intuito de minimizar essa realidade. 

Jaquelina Dun, criadora do movimento social “Covid Sem Fome”, conta que após uma ação com seu marido, percebeu a necessidade de criar uma rede de apoio para alcançar mais pessoas. Com isso, surgiu a iniciativa “Covid Sem Fome”: uma manifestação de indivíduos, isentos de qualquer lucro, rendas governamentais, patrocínios ou parcerias fixas. O grupo é interessado em minimizar os impactos e garantir o direito à alimentação para, ao menos, uma parcela da população necessitada. 

“O projeto tem apoio de uma Universidade, a Unisuam, que cede diariamente o uso da cozinha industrial do curso de Gastronomia para os voluntários prepararem os alimentos”, revela Jaquelina. Ela ainda explica que para participar do movimento, é necessário realizar um rápido cadastro no site do projeto para poder contribuir no financiamento, na distribuição e no preparo das quentinhas.

Raquel Trevisi, idealizadora do projeto COM.VIDA, destinado a pessoas que sofrem graves sequelas da Covid-19, revelou que a ação foi motivada pela falta deste tipo de movimento social. “Foi uma surpresa pra mim quando descobri que não existia nenhuma instituição, nenhum amparo governamental que ajude os sequelados da Covid-19”, disse. Além disso, Raquel sofreu com os danos causados ao contrair o vírus, o que lhe trouxe a reflexão de que ela fazia parte de uma minoria na questão de amparo familiar, médico e financeiro.

Por outro lado, ela lembra que o trabalho voluntário é algo muito complexo e exige tempo e disponibilidade de quem o faz. Segundo a organizadora, apesar dos 700 voluntários cadastrados, menos de 150 atuam. Embora haja uma empolgação inicial dos colaboradores, nem sempre a motivação é constante. “De repente a pessoa não está mais no projeto, muitas vezes sem avisar. Isso é muito triste, mas a gente não desiste das pessoas.”, conta Raquel. 

Também na luta, o projeto NICA, que atua no Jacarezinho desde 2019 com diversos cursos e ações voltadas à população local, se juntou a outros coletivos da comunidade e criou o “Jaca Contra o Corona”. Segundo Bianca Peçanha, Coordenadora Executiva do NICA, a intenção da iniciativa era atuar na prevenção da contaminação do vírus de forma acessível, através da distribuição de máscaras e de alimentos para uma parcela extremamente vulnerável da população.

Nas favelas do Rio, que diariamente sofrem com precariedade sanitária e falta de infraestrutura estatal, a situação acaba sendo ainda mais expressiva. Desde o início da pandemia, já foram mais de noventa mil casos e quase sete mil óbitos, segundo dados do Painel Unificador Covid-19 nas Favelas do Rio de Janeiro. “Quem tem fome tem pressa, tem sede e não se aprende de barriga vazia.”, reflete Bianca.

Reportagem:  Thaís Soares | Leonardo Marchetti | Bruna Bittar | Fabiano Cruz | Gabriel Motta | Guilherme Dias | Isys Bueno | João Pedro Abdo | Lucas Moll.

Supervisão: Brenda Barros | Felipe Roza | Juliana Ribeiro

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