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O desaparecimento dos Yanomami e o descaso com os indígenas no Brasil

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No dia 25 de abril, foi feita uma denúncia de que uma criança de 12 anos da comunidade indígena Yanomami foi estuprada e morta por garimpeiros da região, além do desaparecimento de uma criança de 3 anos. Esse acontecimento precedeu o incêndio na comunidade Aracaçá, localizada na terra indígena Yanomami em Roraima, onde viviam cerca de 25 pessoas, que estão desaparecidas.

Sywasu-rána, integrante do movimento indígena, comentou sobre o caso: “O que não se sabe ao certo é se eles tiveram que desaparecer por conta de perigos e ameaças ou somente se esconderam e estão bem, o que não deixa de ser preocupante, pois estão todos em situação de risco”

Os líderes reforçam que o garimpo é um dos grandes vilões contra os povos originários. Atualmente, há denúncias de que os garimpeiros teriam comprado o silêncio de vítimas com ouro, além de utilizarem a fome e bebidas alcoólicas como meios de exploração sexual de crianças e mulheres, perpetuando um sistema de intimidação contra os indígenas, desprotegidos pela Funai.

Lideranças Yanomami e Ye’kuana se manifestam contra garimpo durante o primeiro Fórum de Lideranças da TI Yanomami, em 2019, na Comunidade Watoriki, região do Demini, Terra Indígena Yanomami. Foto por Victor Moriyama/ISA.

A falta de proteção das terras e povos indígenas têm ligação direta com as atuais políticas governamentais acerca da questão, como dissertou Thyara, liderança Pataxó: “Tudo isso tem uma ligação umbilical com as atitudes tomadas pelo Governo Federal de enfraquecer a política indigenista, do esvaziamento da FUNAI, do discurso recorrente de ódio contra nossos povos e de incentivo à exploração de Terras Indígenas.

Em 2021, já havia sido apontado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) a morte de 101 indígenas Yanomami, que foram alvos da violência causada pela mineração ilegal que se intensificou nos últimos tempos. “O fato é que essa onda de crimes cometidos contra os Yanomami têm motivos bem claros e evidentes, não é segredo pra ninguém que a terra indígena pertencente aos Yanomami é rica em minério e pedras preciosas” afirma Thyara Pataxó.

O caso dos Yanomami não é isolado; foram registrados diversos ataques a comunidades indígenas no final do ano passado após a COP 26, cúpula climática da ONU. Durante o evento, indígenas brasileiros falaram sobre como eles são uma parte essencial da preservação da Amazônia, além de expressar o descontentamento com o desmonte da política ambiental decretado pelo governo Bolsonaro. Inicialmente, as denúncias foram levadas com grande seriedade, mas não demorou para que novos ataques acontecessem, e não foram apontados culpados.

Ganhando notoriedade na internet, o assunto também gerou polêmicas nas redes sociais devido à indignação dos usuários com as negligências contra o povo indígena. Ampliado por celebridades que se manifestaram sobre o acontecimento, “Cadê Os Yanomami” entrou para os trending topics no Twitter. Mesmo essas vozes sendo importantes para a conscientização, é fundamental evitar que elas sejam as únicas ouvidas. como relata Karibuxi: “É triste que o caso só venha a tona após pessoas famosas falarem sobre, sendo que há dias lideranças e ativistas indígenas estavam denunciando também.”

 

Como ajudar?

Nesses casos, é importante que as pessoas não-indígenas busquem se conscientizar e procurar formas de contribuir à causa, que na maioria das vezes é negligenciada pelas instituições que deveriam protegê-la. Aqui vão algumas sugestões de como colaborar, vindas de integrantes da comunidade indígena de todo o Brasil.

Reportagem: Anna Julia Paixão, Brunna Pires e Maria Eduarda Martinez

Revisão: Gabriela Leonardi e Mateus Rizzo

Arte de capa: Cristiano Siqueira

 

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