Em tempos de ciclo eleitoral, a confiança do eleitorado nos candidatos e nas informações que circulam nas redes tem sido colocada em xeque. Esse é o tema do documentário “A escolha”, produzido pelo canal Meio, que teve um trecho exibido na segunda mesa do primeiro dia (08/09) da Semana do Jornalismo na ESPM Rio. No evento, o CEO do Meio, Vitor Conceição, falou sobre a produção do documentário, as eleições de 2026 e os desafios diante da polarização política. A mediação foi de Kaylane Pedroso.
Com apresentação de Flávia Tavares e Pedro Doria, o documentário parte de uma pergunta central – “quem você quer eleger?” – para discutir como o Brasil chega ao ciclo eleitoral e quais questões influenciam a escolha dos eleitores. Em um cenário de forte polarização, a obra aborda a disputa entre os campos ligados ao presidente Lula e à família Bolsonaro. Analisa também a atuação de outros candidatos e os desafios para a construção de alternativas políticas fora da polarização entre direita e esquerda.
Além disso, o filme debate como a expansão das redes sociais transformou a maneira como a política é discutida e consumida pelo eleitorado. Os chamados “cortes”, trechos curtos de falas que viralizam em redes sociais, passaram a ser utilizados para reforçar narrativas e atingir públicos específicos. “Trocamos o hábito de nos informarmos e consumir conteúdos jornalísticos produzidos por profissionais, para receber informações da internet o dia inteiro”, diz Conceição.

Vitor Conceição, CEO do Meio, e Kaylane Pedroso, mediadora do Portal de Jornalismo da ESPM – Foto: Pedro Pitta
Nesse cenário, o papel do jornalismo profissional também ganha destaque. Para o CEO do Meio, a imprensa deve contribuir para o diálogo entre diferentes lados do espectro político: “Quem faz jornalismo precisa saber o que é importante informar, sem dar viés, mostrando os dois lados. Para um país funcionar os dois lados precisam conversar, sem brigar”.
A inteligência artificial aparece como outro fator capaz de influenciar as eleições de 2026. O documentário aborda o uso da tecnologia na criação e disseminação de conteúdos enganosos e manipulados, além de mostrar como a ferramenta pode ser utilizada para segmentar mensagens políticas. Para além da criação de deepfakes, a IA pode baratear campanhas e ampliar a distribuição de conteúdos políticos em grande escala.
A tecnologia também torna mais difícil diferenciar conteúdos verdadeiros de informações manipuladas. Para Conceição, esse cenário apresenta um desafio para os veículos jornalísticos: “O algoritmo premia quem está polarizado e atrapalha quem está tentando mostrar os dois lados expondo suas nuances”.
A íntegra do filme “A escolha” está disponível para assinantes do Meio Streaming.
Reportagem: Júlia Luparelli e Mirella Casanova
Supervisão: Guilherme Freitas