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Semana do Jornalismo

Entre a pressa e a reputação: os novos caminhos do jornalismo na comunicação corporativa

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Por: Helena Pereira e Kaylane Pedroso

A mesa “Comunicação Corporativa”, que abriu nesta terça-feira (08/09) a Semana do Jornalismo na ESPM Rio, teve como foco as transformações enfrentadas pelos jornalistas que passam a atuar no mundo empresarial. O debate, voltado para as novas demandas da comunicação corporativa, abordou a transição de carreira, a necessidade de desenvolver um olhar de negócios e os desafios impostos pela velocidade das informações. Estiveram presentes as jornalistas Naila Oliveira, formada pela UFF e sócia-executiva da Danthi Comunicação, e Isabela Abdala, formada pela UnB e sócia-fundadora da Avenida Comunicação

Elas discutiram como o profissional da comunicação vem assumindo um papel cada vez mais estratégico na gestão de reputação, no relacionamento com diferentes públicos e na resposta a crises em um cenário marcado pela inteligência artificial e pela desinformação. A mediação foi de Gustavo de Paula. 

Segundo as jornalistas, a mudança para o ambiente corporativo também exige que o jornalista amplie a forma de enxergar a própria profissão. No lugar de trabalhar apenas com a produção de notícias, o profissional passa a participar de estratégias que envolvem negócios, públicos e reputação. Para isso, é necessário mergulhar na realidade de cada organização e entender como ela funciona antes de definir qualquer ação de comunicação. Conhecer os diferentes setores da empresa, seus concorrentes e os desafios do mercado se torna parte do trabalho.

Essa adaptação também está relacionada à capacidade de lidar com assuntos desconhecidos. As jornalistas destacaram que não é necessário chegar a um novo trabalho sabendo tudo sobre determinado setor. O importante é ter curiosidade para pesquisar, fazer as perguntas certas e construir conhecimento rapidamente. O jornalista, nesse sentido, atua como um “especialista em generalidades”, preparado para transitar por diferentes temas e compreender contextos que podem mudar de uma hora para outra.

Adaptar-se rapidamente, entretanto, não significa agir sem pensar. Em um ambiente marcado pela pressa, a velocidade pode ser decisiva principalmente durante uma crise. Uma publicação nas redes sociais pode modificar a percepção do público sobre uma empresa em poucos minutos, exigindo que os profissionais saibam identificar o problema e tomar decisões rapidamente. Nesse processo, a comunicação atua como uma espécie de gestora da reputação, mas tem limites. “Quando não tem construção de imagem, não tem gestão de crise que resolva um problema de essência”, afirma Isabela Abdala.

Isabela Abdala, jornalista formada pela UnB e sócia-fundadora da Avenida Comunicação. Foto: Maria Eduarda Torres 

O desafio aumenta diante da desinformação. Para as profissionais, informações falsas não surgiram com as novas tecnologias, mas passaram a alcançar um público maior e circular com muito mais velocidade. O trabalho de comunicação, portanto, também envolve acompanhar o que está sendo dito, verificar informações e entender quando uma resposta é necessária. Nesse cenário, o senso crítico se torna essencial para evitar que a pressa pela resposta produza ainda mais ruído.

Para além das habilidades técnicas, o relacionamento aparece como uma das características mais importantes para quem pretende ingressar no mercado. Saber se comunicar, trabalhar em equipe e construir vínculos são competências valorizadas pelas empresas. A relação de confiança também está presente no contato com jornalistas, clientes e fontes. Em uma área em que parte do trabalho depende de convencer, negociar e estabelecer conexões, a tecnologia pode até acelerar processos, mas não substitui completamente essas relações.

A formação desse profissional também passa pela atualização constante. Durante a conversa, foi destacada a importância da leitura e da construção de repertório, seja por meio de livros, jornais, cinema, teatro ou outras experiências culturais. O objetivo é desenvolver um olhar mais amplo sobre a sociedade e ter referências para compreender diferentes assuntos. A curiosidade, nesse contexto, não aparece apenas como uma característica pessoal, mas como uma ferramenta de trabalho.

Entre a velocidade das informações, a pressão por respostas e as transformações provocadas pela inteligência artificial, a comunicação corporativa exige profissionais capazes de equilibrar rapidez e reflexão. “Tem muita coisa acontecendo, tem gente relatando e produzindo informação o tempo todo. Em dois minutos, em um minuto, tudo muda”, destacou Naila Oliveira. Para ela, a capacidade de agir rápido é importante, mas não pode vir antes da apuração, do senso crítico e da confiança. Em um mercado cada vez mais acelerado, são essas características que ajudam o jornalista a transformar informação em estratégia sem perder de vista a responsabilidade de comunicar.


Naila Oliveira, jornalista e sócia executiva da Danthi Comunicações, participa da mesa de Comunicação Corporativa na Semana do Jornalismo da ESPM Rio. Foto: Maria Eduarda Torres

Supervisão: Guilherme Freitas