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World Press Photo 2026 chega ao Rio com destaque para vencedores brasileiros

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O Rio de Janeiro recebe a exposição World Press Photo 2026, uma das mais importantes mostras internacionais de fotojornalismo e fotografia documental. A exposição, que fica em cartaz até o dia 28 de junho, reúne 42 projetos selecionados e conta com dois profissionais brasileiros entre os premiados: a fotógrafa Priscila Ribeiro e o fotojornalista Eduardo Anizelli.

A mostra, em cartaz no espaço CAIXA Cultural, no Teatro Riachuelo, com entrada gratuita, se consolida como um ambiente de valorização dos registros dos acontecimentos mais relevantes da atualidade, com fotografias que abordam temas como conflitos sociopolíticos, crise climática, migrações e desigualdades sociais.

Criado em 1955, o concurso World Press Photo se consolidou como uma das principais premiações do fotojornalismo mundial. Nesta edição, mais de 57 mil imagens foram inscritas por fotógrafos de 141 países. A seleção das fotografias acontece em duas etapas: inicialmente, seis júris regionais, formados por profissionais da fotografia e do jornalismo de diferentes partes do mundo, avaliam os trabalhos inscritos. Em seguida, um júri global, composto pelos presidentes dos júris regionais e por uma presidente global, define os vencedores da edição.

Os trabalhos selecionados são organizados pelas seis regiões do mundo, evidenciando diferentes contextos sociais, políticos e ambientais. Para o público, a exposição é uma oportunidade de contato com realidades distintas. A oceanógrafa Luciene Pedrosa, que já visitou outras edições da mostra, destaca a importância da exposição. “Por ser dividida por continentes, acabamos conhecendo culturas e o cotidiano que são diferentes do Brasil. É bom para entendermos como funcionam outros países e outras visões de mundo.” comenta Luciene.

Público confere os detalhes das obras expostas na CAIXA Cultural Rio de Janeiro durante a edição de 2026 do World Press Photo. Foto: Mirella Casanova

Brasileiros premiados

No Rio de Janeiro, a exposição foi organizada de modo que o público, logo na entrada, seja convidado a conhecer os trabalhos dos vencedores brasileiros da edição. Segundo a arte-educadora Carolina Costa, responsável pelo atendimento educativo da mostra, a escolha foi uma forma de valorizar a presença nacional no cenário internacional do fotojornalismo. “A curadoria da exposição no Rio de Janeiro decidiu colocar os dois vencedores brasileiros bem na porta, para mostrar a representação dos nossos profissionais no contexto geral”, explica.

Carolina também destaca a reação dos visitantes diante das obras expostas. “De forma geral, as pessoas ficam bem chocadas, porque as imagens deste ano têm como temáticas guerra, mortes, destruição e crise climática. Então as pessoas ficam bem tocadas, bem emocionadas, um pouco sensíveis”, afirma.

Fotografia do Ano em destaque na World Press Photo 2026. Em imagem de Carol Guzy, família se agarra a imigrante equatoriano durante detenção por agentes do ICE em Nova York. Foto: Maria Eduarda Torres

A presença brasileira entre os premiados reforça a relevância do país no cenário do fotojornalismo internacional. A fotógrafa Priscila Ribeiro foi premiada na categoria Individual da América do Sul com o trabalho “Um Território de Esperança”, que acompanha o cotidiano de Sandra Mara Siqueira e seus netos na ocupação do Parque dos Lagos, em Colombo, no Paraná, onde vivem cerca de 200 famílias.

Já o fotojornalista Eduardo Anizelli foi premiado na categoria reportagem com o projeto “Aqueles Que Carregam os Mortos”, uma série de dez imagens que revelam as consequências da megaoperação policial realizada em outubro de 2025, nas favelas do Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

O fotógrafo, fotojornalista, ex-editor de fotografia do Jornal do Brasil entre 1991 e 1996 e vencedor do Prêmio Nacional de Fotografia da Funarte em 1999, Rogério Reis, ressalta o papel social da profissão e a importância da exposição: “Essa exposição é um aviso para as autoridades, para os governantes, porque aqui temos toda uma injustiça social concentrada, não existe uma espetacularização da realidade, porque ela já é tão intensa que basta ter condições de registrá-la, porque a imagem do mundo é tão forte que você não precisa adicionar nada mais.” comenta Reis.

Além dos grandes acontecimentos, a mostra também contempla projetos que abordam histórias individuais, que muitas vezes ficam fora do noticiário tradicional. Para Rogério Reis, esse também é um papel importante do jornalismo. “Além dos fatos que são noticiados, aqui tem pequenos casos de indivíduos, como é o caso da menina vestida de bailarina. É algo que foge do escopo do grande noticiário, mas é algo que cabe à pauta do jornal, descobrir essas situações particulares, permite que outras pessoas nessa condição se identifiquem. A exposição não traz só violência, mas também questões mais isoladas, em que o jornalismo localiza ou para mostrar ou para denunciar”, diz Rogério Reis. 

Registros em preto e branco integram a mostra, que destaca desde conflitos globais até ensaios do cotidiano individual. Foto: Mirella Casanova

Em um contexto marcado pela disseminação de desinformação e pelo avanço das imagens produzidas por inteligência artificial, a exposição também reforça a importância da credibilidade no fotojornalismo. Para Rogério Reis, o rigor ético é um dos principais diferenciais da profissão. “Passando pelo filtro da World Press Photo, aqui não vai ter nenhuma mentira. Vai ter imagens reais, de cunho humanitário, sobre conflitos, doenças e personagens”, afirma. 

A exposição oferece ao público uma oportunidade de aprofundar o olhar sobre temas que muitas vezes passam despercebidos no fluxo acelerado de informações do cotidiano. A fotógrafa Cinthia Orth destaca que a curadoria da mostra reúne registros de alta qualidade técnica e relevância jornalística, permitindo que os visitantes compreendam histórias e contextos por trás das imagens. “As fotos aqui contam uma história. A pessoa já chega aqui e se educa com o que há de mais importante, de mais relevante”, disse Orth. 

A fotógrafa também observa que a edição de 2026 apresenta temas especialmente sensíveis, abordando conflitos armados, crises humanitárias e mudanças climáticas. Embora considere que as histórias retratadas sejam difíceis e, em muitos casos, dolorosas, ela acredita que o contato com essas realidades é fundamental para despertar consciência social. “O fotojornalismo toca a gente de um jeito que a gente não consegue ficar sem reação diante de uma imagem. A gente tem que se indignar, tem que se revoltar contra aquilo”, afirma Orth. 

A exposição integra um circuito internacional e itinerante, passando por diferentes cidades ao redor do mundo. No Brasil, após sair do Rio de Janeiro, a mostra segue para São Paulo, Curitiba e Salvador.

SERVIÇO:
Exposição World Press Photo 2026
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – R. do Passeio – Galerias 1 e 2
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: 12 anos
Data: até 28 de junho
Horário: 10h às 20h – terça a sábado
11h às 18h – domingos e feriados

Reportagem: Júlia Luparelli e Maria Eduarda Torres

Supervisão: Ana Lúcia Araújo e Vinicius Carvalho

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