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As dificuldades encontradas pelas mulheres brasileiras que vivem no exterior

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A migração de brasileiros para o exterior tem crescido cada vez mais na última década. Segundo dados da Receita Federal, somente nos primeiros sete meses do ano passado foram registradas 21.873 declarações de saída definitiva do país. A mulher brasileira é uma das muitas pessoas incluídas dentre estes migrantes. Entretanto, dificuldades como preconceito, discriminação, xenofobia e assédio são encontradas frequentemente em seu cotidiano. 

Beatriz Cunha, analista em uma multinacional de equipamentos industriais,  relata que ao trabalhar em uma empresa no interior do estado de Illinois, nos Estados Unidos, constantemente era vista como “oferecida”. Beatriz era rotulada dessa maneira por seu jeito carismático, considerado típico de sul-americanos, e pelo estereótipo da mulher brasileira no exterior. Ademais, situações do tipo aconteciam também fora do ambiente de trabalho. “Muitas vezes as pessoas perguntavam de onde eu era e faziam comentários negativos sobre imigração”, contou.

A brasileira menciona já ter se sentido desvalorizada em diversas ocasiões, não apenas por ser mulher, mas também imigrante. Além disso, ela revela o esforço feito para se enturmar, aprender a cultura e falar a língua local. No entanto, lamenta não ter sido o suficiente. “Nós temos que constantemente provar que somos bons no que fazemos e que merecemos estar ali”, completa. 

Luanne Teixeira, funcionária de um restaurante na Califórnia, fala sobre como as dificuldades aparecem a partir do momento que descobrem a sua nacionalidade. Ela afirma já ter sido desqualificada e passado por situações desconfortáveis no ambiente de trabalho apenas por ser brasileira. “Já fui assediada várias vezes por colegas da empresa e até gerentes”.

Já a estudante de Jornalismo em Portugal, Júlia Fernandes, alega não ter passado por nenhuma situação em que fosse inferiorizada por sua nacionalidade.  Entretanto, acredita que a sexualização que fazem das mulheres brasileiras é a parte mais complicada. “Os portugueses ainda têm uma ideia muito errada de que brasileira é puta e de que veio atrás de marido dos outros”, ela conta. 

Júlia afirma que casos de assédio acontecem quase todos os dias, desde carros buzinando até olhares incômodos na rua. “Tenho a impressão de que eles olham muito para as nossas pernas. Parece que é estranho para eles eu sair de saia ou vestido curto.” Ela ressalta ainda que, somente pelo fato de ser brasileira, os homens portugueses têm dificuldade em aceitar um “não” em festas.

Daniela Brito, fitness coach em Nova York, e Maria Paula Guimarães, estudante de Relações Internacionais na Universidade de Coimbra em Portugal, também compartilham suas experiências de morarem no exterior sendo mulheres brasileiras. Confira no vídeo abaixo:

Reportagem: Amanda Domicioli e Juliana Ribeiro

Supervisão: Carol Mie, Patrick Garrido e Pedro Cardoso

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