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Ditadura Militar: discussões atuais e a importância de relembrar os fatos

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Nas últimas semanas, alguns apoiadores do presidente Jair Bolsonaro foram às ruas para reivindicar uma intervenção federal no país. O pedido feito por eles trouxe à memória o período antidemocrático da história do Brasil conhecido como Ditadura Militar, que aconteceu na década de 60-80 e até hoje é tema de discussões do que realmente aconteceu nessa época. Enquanto alguns chamam de “ditadura”, outros acreditam que o melhor termo para se referir a esse período seja ”intervenção militar”. 

A historiadora e pesquisadora Raquel Vital explica sobre o que mais marcou esse momento da história: “O período da ditadura militar no Brasil foi marcado pelo autoritarismo e pela extrema violação dos direitos humanos. Anos sombrios, onde existia uma repressão legal com finalidade de inibir manifestações opositoras ao governo. As censuras se tornavam cada vez mais frequentes para abafar as violações, a crise econômica e a repressão”, conta. 

Além disso, Raquel comenta sobre o porquê desse tema causar tantas opiniões diferentes nos brasileiros até hoje. A historiadora afirma que durante 21 anos, os livros foram regulados, a educação militar foi imposta, havia uma falsa sensação de segurança e muitas pessoas se calavam por medo da repressão. Por isso, segundo ela, existem algumas pessoas que viveram nessa época, mas ainda acreditam que não foi tão ruim assim.

A falta de liberdade de imprensa está entre uma das questões que impediam os cidadãos brasileiros de terem acesso a todos os acontecimentos da época. Por conta de algumas leis criadas, como a da imprensa de 1967 e a censura prévia em 1968, os veículos de informação passaram a ser censurados. 

O Datafolha conduz uma pesquisa desde 1989, que tem como objetivo entender a opinião dos brasileiros quanto ao sistema democrático. Em 2020, a coleta de dados mostrou um recorde de apoio ao sistema democrático, com 75%; porém, 10% demonstraram que em alguns contextos, preferem a ditadura quanto à democracia. Esse dado pode ter aumentado, evidenciado pelas recentes manifestações antidemocráticas desde o fim da eleição. 

De acordo com Neili da Silva, que nasceu durante a ditadura, em 1976, as suas lembranças são de um período muito árduo, porque “tudo era mais caro de conseguir, tinha períodos de inflação muito grande, dificuldades de encontrar alimentos e de matricular as crianças na escola”. Ela diz que foram momentos muito difíceis para pessoas da Zona Norte e pobres como ela.

A dona Maria São José também viveu esse período como estudante no Rio de Janeiro, e sua memória mais viva são dos movimentos estudantis que foram protagonistas na oposição à ditadura. “Eles foram os mais contrários ao regime militar no Brasil. Inconformados com o autoritarismo e a repressão, muitos estudantes tiveram a coragem de enfrentar as forças repressoras, dispostas a massacrar jovens idealistas e contestadores, ou qualquer um que simpatizasse com ideias consideradas subversivas”, destaca. 

O levantamento feito pelo Human Rights Watch (HRW) concluiu que vinte mil pessoas foram torturadas durante a ditadura, e que pelo menos 434 pessoas foram mortas ou seguem desaparecidas. Para a professora Raquel, fica evidente que o termo “ditadura” é o mais “completo historicamente falando” ao se referir a essa tomada de poder pelos militares. 

Reportagem: Julia de Paulo, Júlia Vianna e Lucas Luciano

Supervisão: Anna Julia Paixão e Maria Eduarda Martinez

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