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Crítica: Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022)

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“Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração”. Frase da poetisa brasileira Martha Medeiros que resume bem o que aconteceu com a sequência de Dr. Estranho. Um filme que prometeu trazer o gênero de terror para a Marvel e marcou a volta do aclamado Sam Raimi ao cinema dos heróis, mas que se perdeu em sua própria “loucura”, se tornando mais do mesmo.

Nele acompanhamos pela primeira vez Wanda Maximoff como vilã, depois dela ter sido possuída pelo Darkhold. Com isso, Stephen Strange e America Chavez buscam um jeito de detê-la no multiverso, enquanto navegam em seus próprios questionamentos. Se desprendendo da ideia de moralidade que conhecemos, o longa traz a reflexão sobre o que verdadeiramente é ser um herói.

 

 

 

O terror proposto no enredo é o que o difere de todos os outros da franquia, arriscando um novo formato que ainda não havia sido explorado. Mesmo gostando desse risco e sabendo que escolheram o melhor diretor para realizá-lo, ainda sim a “fórmula Marvel” prende a narrativa e a torna, em alguns momentos, forçada. É uma mistura de gêneros que não conversam bem entre si e se atropelam na construção da montagem. A ideia de Raimi até que foi boa, mas a execução se perdeu no momento em que não soube relacionar a novidade com o padrão que já estávamos acostumados. 

Esse sentimento de frustração vem principalmente por conta do universo compartilhado, que te faz ter a sensação de estar vendo o episódio de uma série. Tudo é levantado, mas nunca respondem nada. É uma quebra no contrato imaginário do autor com todos os que desejam consumir suas obras. A impressão é que essas histórias acabaram se tornando somente um produto da Indústria e não possuem nenhum compromisso com a arte e a paixão dos quadrinhos. 

   

   

Mesmo assim, é inegável que Raimi deixou sua identidade nas telas, desde as jogadas de câmera até mesmo na sua forma de retratar Nova York. As cenas de ação são recheadas da peculiaridade do diretor, com o aspecto clássico que só ele consegue transmitir e uma filmagem que te leva ao início dos anos 2000 e te faz querer ficar. 

Outro detalhe que carregou a sua filmografia foi a trilha sonora. As músicas usadas lembram muito o terror tradicional que ele está acostumado a fazer e te levam a um suspense desconfortável. Algo bem diferente do comum em filmes de heróis, mas que deu bastante certo. Transmitiu a seriedade que queria tanto ver na Marvel e a deixou um pouco mais sombria (estava precisando mesmo). 

A forma que os poderes da Wanda são explorados é uma das únicas coisas impecáveis do filme. A mudança de heroína para vilã que vem sendo construída desde WandaVision chega ao seu ápice durante a obra, te deixando em dúvida do que sentir por ela. Com profundidade nessa transição, Olsen entrega a melhor atuação que teve com a personagem, mostrando de maneira intensa o que a dor é capaz de fazer com alguém. Benedict Cumberbatch cumpre bem o seu papel como o bom ator que ele é, mas é engolido pela verdadeira protagonista do filme: Feiticeira Escarlate. 

Tinha tudo para ser uma produção inesquecível, mas se perdeu em todas as expectativas que não conseguiu suprir. Nem mesmo a direção do Sam Raimi e a atuação de Elizabeth Olsen conseguiram salvá-lo. Vai envelhecer como qualquer outra saga do UCM e só vai ser lembrado como ponte para algo muito maior que está por vir. Foi divertido, não posso negar, mas tem filmes que têm a obrigação de serem mais que isso. 

Por: Lucas Luciano

Supervisão: Gabriela Leonardi 

Imagem: Divulgação / Marvel 

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