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Brasil: um país de oportunidades?

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O Brasil passa por uma crise econômica que vem se agravando com o passar dos últimos anos. Uma das consequências, e provavelmente a que mais impacta o dia a dia dos brasileiros, é o desemprego. O primeiro trimestre de 2021 foi marcado por 14,7% da população sem trabalho, que voltou a crescer depois de uma pequena queda no final do ano passado, como mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (PNAD).  Todavia, ao contrário do que se pode pensar, a falta de empregos não é apenas para aqueles que não têm qualificação para tais, mas também para quem as tem em excesso, os chamados “superqualificados”. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para qualificar-se como desempregada, não basta apenas a pessoa não ter um trabalho. O indivíduo deve se enquadrar nos seguintes requisitos: ter a idade mínima (mais de 14 anos), estar disponível e estar à procura de um cargo. Sendo assim, jovens que apenas estudam, empreendedores e donas de casa não são considerados desempregados. Esses são alguns exemplos de pessoas que se enquadram como fora da força de trabalho ou ocupadas. 

Os dados abaixo mostram quem são os trabalhadores brasileiros de acordo com dados do IBGE:

Apesar das previsões de crescimento econômico para o Brasil, apontadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em um relatório divulgado no último mês de julho que especula um aumento de 5,3%, o economista João Branco avalia que tais melhorias são suficientes apenas para reposição de perdas orçamentárias e financeiras passadas. “Só deve haver redução do desemprego quando a economia se recuperar de fato”. Portanto, os problemas relativos à falta de oportunidades de trabalho continuam. 

Devido à crise, que foi agravada pela pandemia do Covid-19, muitas empresas precisaram passar por processos de demissão em massa. Agora, funcionários que possam  desempenhar mais de uma função são os mais requisitados e que conseguem manter sua posição. Para Régia Facundo, pedagoga e pós-graduada em gestão empresarial e de pessoas, os times mais enxutos e processos mais rápidos de aprendizado são atraentes para as empresas e, consequentemente, faz com que os profissionais sejam promovidos mais rápido. A especialista em carreiras ainda pontua sobre a tecnologia estar tomando o lugar de trabalho humano: “Exige um preparo maior para assumir posições mais estratégicas que um robô não poderá substituir.”

Com o cenário do mercado de trabalho atual e a necessidade de pessoas que desempenhem mais de uma função, as empresas estão requisitando pessoas consideradas super qualificadas. Segundo Régia, “um funcionário super qualificado é alguém que possui experiência profissional e acadêmica que vai além do que é pedido ou necessário para a função, tornando-o assim subaproveitado para o cargo”. 

O economista explica que a diminuição de trabalhadores pelas empresas ocorre quando há uma grande improdutividade sem expectativa de melhora e retomada de crescimento. O Conselho Monetário Nacional (CMN) estima que a meta de inflação para 2022 seja de 3,50%, e analistas falam que deve ficar acima da meta por dois anos. Então, sem previsão de melhora, as empresas estão procurando os superqualificados para suprir a falta de funcionários, mas isso pode gerar problemas para a saúde mental dessas pessoas que ficam sobrecarregadas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as faltas no trabalho estão ligadas, em grande maioria, à saúde mental. Com a pandemia, a Síndrome de Burnout, que  foi reconhecida pelo Órgão, é causada pela sobrecarga que leva ao estresse, esgotamento físico e psicológico, e está relacionada diretamente ao contexto profissional. Com pessoas desempenhando diversas funções em uma empresa, muitos estão desenvolvendo essa condição. Segundo a International Stress Management Association (Isma-BR), 32% dos brasileiros sofrem de burnout.

No contexto da recessão econômica brasileira atual, são muitas as dificuldades para encontrar uma vaga de trabalho estável, mesmo para candidatos superqualificados. Por isso, é importante que esses profissionais tenham estratégias efetivas para processos seletivos e saibam usar as qualificações em benefício próprio. Um dos pontos levantados pela pedagoga Régia Facundo a respeito das ponderações feitas na hora de contratar um superqualificado é o caso de que, ao assumir uma função inferior à qualificação, o candidato, ao longo do tempo, se sinta desmotivado e tenha problemas na produtividade. Assim, é recomendado que o candidato expresse motivação em relação a uma jornada a longo prazo na empresa e que a instituição também se mostre aberta a possibilidades futuras de crescimento em que o funcionário possa assumir desafios a altura das suas capacidades.

Mesmo com os dilemas, a pandemia também modificou estruturas de contratação bem consolidadas, criando novas possibilidades, como processos seletivos online e ampliação de ocupações em sistema remoto, em que o funcionário não precisa, necessariamente, morar no local da empresa.  Os processos seletivos a distância tornam as contrações mais rápidas além de obter maior alcance, porém o conhecimento ainda é um pilar fundamental para a carreira profissional, sendo esta super qualificada ou não. Adaptar-se e incorporar-se às ferramentas digitais para se destacar no mercado de trabalho é essencial.   

Reportagem: Brenda Barros | Isys Bueno | Letícia de Lucas 

Supervisão: Gabriela Leonardi 

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