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Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas

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Hoje, dia 16 de março, é o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. Durante o tempo, o planeta passou por várias mudanças na sua temperatura, mas nos últimos anos, o tema vem chamando mais atenção considerando os acontecimentos drásticos recentes. O aumento da temperatura da Antártida, chegando a 20,75°C em fevereiro deste ano, e as extensas queimadas na Amazônia, no Pantanal e na Austrália, no ano de 2020, refletem a emissão em excesso dos gases do efeito estufa, como o CO2. Esta data, portanto, tem como objetivo a reflexão sobre a necessidade de práticas que reduzam os impactos causados pelas mudanças climáticas.

Apesar de todo esse apelo, algumas projeções feitas são preocupantes. O livro “A Terra Inabitável”, escrito por David Wallcewells, fala que, em um processo de médio a longo prazo, eventos terríveis como crise no abastecimento de água, derretimento de geleiras e perda na agricultura podem ser extremamente prejudiciais e mudar o padrão de vida humana. As projeções das Nações Unidas também não são animadoras; segundo a organização, cidades serão inundadas, haverá ondas de calor permanentes e existirão 200 milhões de refugiados do clima até 2050. Esses fatores mostram a ineficiência das campanhas feitas, além da negligência de alguns chefes de Estado e líderes de grandes empresas.

Durante a pandemia, houve uma flexibilização das políticas ambientais no Brasil, envolvendo a proteção da Mata Atlântica, garimpos e agrotóxicos. A jovem embaixadora da ONU, Amanda da Cruz Costa, falou um pouco sobre o afrouxamento dessas leis: “Houve uma estratégia de desmantelamento das políticas públicas por parte do governo federal, desde reduzir 94% da parte do governo que cuida de mudanças climáticas, até reduzir funcionários do IBAMA, cortar salários e demitir pessoas”. Amanda ainda reforça que pouca coisa foi feita, mesmo as agressões ao meio ambiente sendo explicitadas constantemente nos noticiários.

Segundo o professor de Geografia, Luiz Cláudio Cardoso, existem duas vertentes na climatologia atualmente. De um lado estão os fryers, que alegam a existência do aquecimento global. O grupo representa a maioria da comunidade científica e faz divulgação sobre os danos da mudança climática. Por outro lado, existem os freezers, pessoas que negam o aquecimento e afirmam que o planeta está indo para uma era glacial, o que para eles seria um evento natural. De acordo com Luiz Cláudio, não se sabe quando uma nova era glacial irá desencadear, e embora esse fenômeno possa ocorrer um dia, o que se compreende hoje é que as paisagens naturais revelam os impactos decorrentes das mudanças climáticas.

O professor também explica que a modificação de partículas atmosféricas influencia muito no aquecimento do planeta, já que há cada vez mais o acréscimo de componentes poluentes como fuligem, dióxido de carbono e gás metano na atmosfera. Tudo isso ocorre em função da dependência energética cada vez maior em combustíveis não renováveis como o carvão e o petróleo. Luiz Cláudio afirma que todos esses fatores culminam em uma maior capacidade de desregulação, acarretando na criação de anomalias climáticas. Além disso, ele ressalta a situação do Brasil e afirma que “Tanto a nível de queimadas que acontecem na Amazônia, quanto a nível da pandemia, o Brasil é o pior exemplo a ser seguido”.  

As anomalias citadas pelo professor, trazem crises climáticas com efeitos diversos, devido a perda da autorregulação do meio ambiente. Rayssa Jacob, engenheira ambiental e proprietária do canal no Youtube Rayssa Ecolove, apresenta consequências como tempestades, inundações e furacões, sendo essa crise um problema que vivemos no mundo de hoje, e não futuramente. A engenheira ainda mostra o quanto isso afeta no nosso dia a dia, dando como exemplo a questão da alimentação “Tanto muita chuva, como seca, atrapalha na produção de alimento para nossa geração por exemplo, e já perde algo essencial que é a nossa alimentação, a agricultura fica comprometida”.

O aumento da emissão de gases de efeito estufa (GEEs), como o dióxido de carbono produzido através da queima de combustíveis fósseis para geração de energia ou por desmatamento, é considerado a principal causa do aquecimento global. Somado a tudo isso, a situação mundial se torna ainda pior em função  da enorme degradação ambiental, a perda de biodiversidade e o desgaste dos recursos naturais causados pela ação humana. Os cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU) comprovaram o aumento de 0,8 graus da temperatura média da Terra nos últimos anos e estimam que esse aumento poderá atingir até 1,5 graus, caso as ações de combate não ocorram de forma imediata e efetiva.

E o problema é que a situação vem se deteriorando cada vez mais. O desmatamento da Amazônia atingiu o patamar de mais de 11 mil km², entre agosto de 2019 e julho de 2020. Considerando o Índice de Desempenho em mudança climática de 2021, o Brasil caiu da posição 21 para a 25, e é o quinto maior emissor global. Segundo especialistas no tema, a política climática brasileira foi classificada no nível mais baixo. 

Por isso, é essencial ter um dia voltado para essas questões, fazendo com que mais pessoas possam ser alcançadas e convidadas para ação. Para Amanda Da Cruz, falar sobre meio ambiente e sobre o clima era um assunto restrito aos ambientalistas, só que esse cenário está sendo alterado. “A gente vive um momento com a democratização do conhecimento, com a internet, que a gente pode se posicionar para fazer com que mais pessoas entendam a gravidade desse grande desafio”, reconhece a jovem embaixadora. 

Diante disso, a necessidade de mudança é urgente. Segundo a engenheira ambiental Rayssa Jacob, o Dia Nacional da Conscientização sobre as mudanças climáticas é uma oportunidade de aceitarmos e discutirmos o papel dos seres humanos para conseguir frear essas mudanças. “Esse dia é um alerta para a gente mostrar o panorama atual, é uma chance para a gente mostrar e apontar caminhos para a humanidade, para cada um ser e fazer essa mudança de hábitos”, concluiu a youtuber. 

No mesmo sentido de que a mudança de postura é imperativa e necessária para reduzir o impacto das consequências climáticas, Amanda defende “nunca é muito cedo ou muito tarde para começar. Precisamos dar o primeiro passo e parar de externalizar a responsabilidade. Nós só podemos ser parte da solução quando a gente se enxerga como parte do problema.” 

Reportagem: Beatriz Chagas, Brenda Barros, Fernanda Bichara, Guilherme Rezende, Gustavo Vieira, Isabela Garz, João Manoel Morais e João Pedro Camero

Supervisão: Bruna Barros e Pedro Cardoso

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