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Crítica – The Batman (2022)

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Em 2022 completam-se 10 anos do lançamento de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, o último filme solo do personagem. O novo longa “The Batman” chegou às telas dos cinemas no dia 3 de março, mas a obra está em desenvolvimento desde 2017, quando Ben Affleck era o diretor e protagonista. Nesses cinco anos o projeto enfrentou crises na Warner, como a saída de Ben Affleck e a pandemia da Covid-19, e após alguns adiamentos foi estreado. Matt Reeves foi o escolhido como diretor e roteirista, que selecionou Robert Pattinson para o papel principal.

Batman (Robert Pattinson) é um vigilante das ruas de Gotham quando no segundo ano de combate ao crime, um outro mascarado surge matando pessoas da elite e deixando rastros enigmáticos. O vigilante precisa mergulhar no submundo do crime para desvendar esse mistério, em que encontra Selina Kyle (Zoë Kravitz), Pinguim (Colin Farrell) e Charada (Paul Dano).

Filmes do Batman não são novidade na cultura pop, pois o personagem já foi adaptado no live-action por 7 atores diferentes, desde Adam West até Ben Affleck. A pergunta que fica é: como Matt Reeves iria contar algo novo sobre o herói? O diretor relatou que não gostaria de fazer uma história de origem e que queria abordar uma trama de detetive semelhante ao que é feito nas HQs (história em quadrinhos), mas nunca aprofundado nos filmes. Essas foram as primeiras ideias de Reeves, que se inspirou nos quadrinhos “Batman – O Longo Dia das Bruxas”, “Batman: Ego”, “Batman: Ano Dois” e “Batman – Terra Um”. Cada um traz diferentes aspectos, como o personagem na função de detetive e com um psicológico abalado. Assim, nasceu “The Batman”.

A obra abordou de forma precisa as novas facetas do homem morcego, principalmente, quando entrega uma história de investigação. O enigma que o Batman desvenda não é complexo ou mais rebuscado como nos filmes de David Fincher, porém, consegue prender a atenção ao longo das suas quase 3 horas. Charada foi uma ótima escolha para o vilão principal, que explora novos conceitos para o personagem e acrescenta muito na trajetória de Bruce Wayne (Robert Pattinson). Paul Dano mostra como sabe interpretar o papel de um louco, em que faz um trabalho sensacional com a voz.

Imagem: Divulgação / Warner

A história principal do longa parece ser apenas uma trama de detetive, no entanto, o que mais chama atenção é o quanto do foco está na construção do protagonista, que é constantemente questionado pelos seus atos. Batman é retratado como uma pessoa despreparada emocionalmente e fisicamente para lidar com Gotham City. A obra desconstrói o personagem ao longo da jornada, mostrando que ele e o povo da cidade precisam de esperança.

Filmes do gênero de super-heróis estão em alta e a maior parte deles segue uma fórmula, sobretudo, quando trata-se do projeto consolidado da Marvel. Entretanto, “The Batman” é muito diferente esteticamente e trazendo elementos noir e obscuros, a cidade de Gotham é suja, sombria e pessimista. No início, o diretor põe Bruce Wayne para narrar em terceira pessoa, o que lembra Travis Bickle falando de Nova York em “Taxi Driver”. A estética do filme é muito precisa, pois além de ter uma cidade trevosa, Bruce Wayne é gótico e grunge escutando Nirvana, utilizando sombra nos olhos para o disfarce e usando roupas grandes e escuras, o que se encaixa perfeitamente para Robert Pattinson, que brilha muito no papel.

Porém, o que seria do homem morcego sem seus antagonistas? Zoë Kravitz entrega uma Mulher Gato sensacional, desbancando as grandes atrizes Michelle Pfeiffer e Anne Hathaway, com uma química excelente de Selina Kyle e Batman. Um vilão que se destaca é o Pinguim, um personagem que tem bom senso de humor e carrega uma performance muito boa do irreconhecível Colin Farrell. Carmine Falcone (John Turturro) é um dos pilares do longa. Ele e Pinguim trazem uma história de máfia dentro da obra, que é muito bem abordada se comparada à trilogia de Christopher Nolan.

Tenente Gordon (Jeffrey Wright) faz uma ótima dupla com o vigilante desvendando os mistérios juntos. Tanto o Batman, quanto Bruce Wayne não seriam nada sem Alfred (Andy Serkis), que mesmo com pouco tempo de tela, tem um papel de guia importantíssimo os auxiliando na jornada de descobrimento.

Nas questões técnicas a obra não deixa a desejar, com uma fotografia linda e referências aos quadrinhos em algumas cenas. A direção de arte é espetacular. Essa é a melhor Gotham dos cinemas e o trabalho no Batmóvel e nos equipamentos do Batman são primorosos. Além disso, a trilha sonora de Michael Giacchino se sobressai com o tom certo e o clima perfeito para ambientar as cenas, desde “Something In The Way”, do Nirvana até “Ave Maria”.

O Bruce Wayne aparece pouco em comparação com os outros filmes, mas o fato é que “The Batman” é um dos longas mais importantes do Batman, já que em nenhuma outra obra houve tanta importância na construção do herói como nessa. Robert Pattinson não teve a vaidade de ficar com a máscara por mais de 80% do filme, e Matt Reeves foi excelente na direção, não temendo em trazer diversas referências. A obra, no entanto, poderia ter tido uma melhor montagem no ato final, pois há muitos ganchos de fim em sua passagem, e os subtramas do roteiro não parecem ser finalizados juntos, quebrando o ritmo final.

“The Batman” poderia ser o melhor filme do gênero caso fosse feito há alguns anos, mas com a existência de “Coringa”, “Vingadores: Guerra Infinita” e “Batman: Dark Knight”, fica mais difícil. Apesar de ser excelente, a obra não é revolucionária no mercado, mas com certeza mudará a história da DC e do Batman nos cinemas.

Por: Lucas Moll

Imagem: Divulgação / Warner

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