Crise climática amplia riscos à saúde e exige políticas de adaptação no Rio e no país
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As mudanças climáticas já afetam a saúde da população e aumentam a exposição a eventos extremos, como ondas de calor e inundações. No Rio de Janeiro, esses fenômenos estão entre os principais impactos associados ao aumento das temperaturas e exigem políticas públicas de prevenção, adaptação e atendimento à população.
A avaliação é da pesquisadora Renata Gracie, doutora em Saúde Coletiva pela Fiocruz e integrante da coordenação do Observatório de Clima e Saúde da instituição. Em entrevista ao Portal de Jornalismo da ESPM, ela analisou os principais desafios ambientais e seus efeitos sobre a saúde no Rio e no Brasil.
A entrevista faz parte da série especial de cobertura das eleições, produzida pelos estudantes Isabella Mattos e Adercino Orçay. O projeto reúne entrevistas com especialistas para discutir os principais desafios do estado e do país em diferentes áreas e contribuir para o debate sobre as políticas públicas que estarão em discussão nas eleições.
Segundo Gracie, os efeitos da crise climática não atingem a população de maneira uniforme. Pessoas que trabalham ao ar livre, vivem em áreas mais vulneráveis ou não têm acesso a ambientes climatizados estão mais expostas às consequências do calor extremo. Favelas e comunidades urbanas, além de populações ribeirinhas e quilombolas, também estão entre os grupos que demandam maior atenção das políticas públicas.
“Populações que moram em favelas e comunidades urbanas, ribeirinhos, quilombolas são as mais afetadas. É importante dar atenção e pensar em maneiras de ter refúgios climáticos”, afirma Gracie.
Clima e saúde pública
Para a pesquisadora, as mudanças no clima também podem alterar a relação entre seres humanos, animais e o ambiente. A alteração dos ecossistemas e da cobertura vegetal pode favorecer condições para a circulação de agentes infecciosos e aumentar riscos relacionados a doenças transmitidas por vetores.
A dengue é um dos exemplos citados pela especialista. Tanto períodos de chuva intensa quanto de estiagem podem criar condições que favorecem a proliferação do mosquito transmissor. Durante as secas, por exemplo, o armazenamento de água pode se tornar necessário para a população, mas, quando feito de forma inadequada, pode contribuir para a formação de criadouros.
“A dengue aparece tanto na inundação e na seca. Na inundação, as poças de água ajudam na proliferação dos vetores. Na seca, as pessoas tentam armazenar água e, em geral, é de maneira inadequada porque estão tentando sobreviver”, explica ela.
Os efeitos da crise climática, portanto, ultrapassam os danos provocados diretamente por enchentes, deslizamentos ou temperaturas elevadas. Eles também podem pressionar os serviços de saúde e ampliar a demanda por atendimento, medicamentos e outros insumos.
Planejamento para enfrentar eventos extremos
Diante desse cenário, Gracie defende que os governos incluam os impactos das mudanças climáticas no planejamento das políticas públicas. Estados e municípios podem elaborar planos de adaptação e de contingência para preparar a rede de saúde para períodos de maior demanda.
A atuação envolve, segundo a especialista, desde a estrutura dos serviços de saúde até o trabalho de prevenção realizado junto às comunidades. O planejamento antecipado pode ajudar a identificar populações mais vulneráveis e organizar recursos para situações de emergência.
“A população em geral deve procurar atendimento médico para fazer seus exames de rotina e os agentes de saúde também realizarem essas visitas e chamar a população a fazer esses exames”, ressalta Gracie.
A discussão sobre meio ambiente, mudanças climáticas e saúde pública, segundo a pesquisadora, precisa estar integrada às decisões dos governos. Em um cenário de eventos extremos mais frequentes, medidas de prevenção e adaptação passam a fazer parte das políticas necessárias para reduzir os impactos sobre a população.
A crise climática afeta a saúde da população e requer atenção dos municípios
As mudanças climáticas e seus impactos na vida cotidiana das pessoas é um tema cada vez mais necessário para o debate público. Para Renata Gracie, doutora em saúde coletiva da Fiocruz e integrante da coordenação do Observatório de Clima e Saúde vinculado à Fiocruz.
“O aumento da temperatura média global gera mais eventos climáticos extremos. No Rio, calor extremo e inundações são as consequências mais frequentes.”
A avaliação foi feita em entrevista ao Portal de Jornalismo da ESPM para a série especial de cobertura das eleições, produzida pelos estudantes Isabella Mattos e Adercino Orçay para discutir os principais desafios do estado e do país em diferentes áreas.
Segundo Gracie, entre 2000 e 2018 mais de 48 mil pessoas morreram devido ao excesso de calor. Baixa instrução, pretos e pardos foram os recortes populacionais desses óbitos. Para ela, as populações que trabalham ao ar livre, não tem acesso a área de climatização e estão nas periferias – longe do centro das tomadas de decisão – são as mais afetadas.
“Populações que moram em favelas e comunidades urbanas, ribeirinhos, quilombolas são as mais afetadas. É importante dar atenção e pensar em maneiras de ter refúgios climáticos”, afirma a coordenadora.
Na análise da doutora a crise climática afeta diretamente a saúde e o bem estar individual da população. Com as alterações dos ecossistemas e da cobertura vegetal, a interação entre animais e humanos é mais frequente, aumentando casos de hepatite, febre amarela e leishmaniose tegumentar (cutânea) e visceral.
“A dengue aparece tanto na inundação e na seca. Na inundação as poças de água ajudam na proliferação dos vetores. Na seca as pessoas tentam armazenar água e em geral é de maneira inadequada porque estão tentando sobreviver”, afirma Gracie.
O debate sobre as crises climáticas, preservação ambiental e saúde pública se entrelaçam e precisam de atenção. Para Gracie, os municípios podem fazer planos de adaptação e de contingência visando o aumento do atendimento e de insumos das unidades de saúde.
“A população em geral deve procurar atendimento médico para fazer seus exames de rotina e os agentes de saúde também realizarem essas visitas e chamar a população a fazer esses exames.”, conclui a especialista.
Reportagem: Leonardo Dutra
Entrevista: Adercino Orçay e Isabella Mattos
Supervisão: Pollyanna Brêtas
Foto de capa: Divulgação/Secretaria de Meio Ambiente e Clima



