Rodrigo Carvalho: “O jornalismo, onde estiver, propõe confronto de ideias e opiniões”
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Rodrigo Carvalho viveu uma situação inesperada na China, o que acabou lhe rendendo uma indicação em 2026 ao prêmio da Association for International Broadcasting. Para uma matéria do Fantástico, Carvalho foi até Hong Kong e viu pessoas morando em minúsculos “apartamentos-caixões”, verdadeiras gavetas nas quais um morador vive com seus pertences, próximo a minibanheiros e cozinhas compartilhadas. “Isso representou o suprassumo do que me fez escolher ser jornalista: estar diante de uma realidade social forte”, afirma.
Escritor e jornalista brasileiro nascido em Niterói, Carvalho é graduado em jornalismo pela PUC do Rio de Janeiro. Ele já foi indicado ao prêmio Emmy Internacional de Jornalismo pelo seu documentário Torre de David (2014) e é autor de dois livros: Vivos Embaixo da Terra (2012) e Os Meninos da Caverna (2018).
Ele começou a se interessar pela profissão aos 13 anos “por causa do time do Botafogo”, comprando vários jornais para comparar a cobertura, capa, textos, colunas e escolha de fotos. Com o tempo, ao se aprofundar no papel da imprensa, algo o fisgou para além da carreira esportiva.
O interesse por jornalismo internacional surgiu durante um estágio na GloboNews. “O estágio por lá faz o aluno rodar por vários jornais e programas que dão destaque para a área internacional. Tomei gosto definitivo em olhar para o mundo”. Após anos como repórter fazendo viagens como enviado especial na América Latina, como a cobertura da eleição de Nicolás Maduro em 2013, na Venezuela, a vontade de se tornar correspondente se intensificou. “Não era um sonho meu de época de faculdade, como é para muitos estudantes. Talvez por achar que era algo quase impossível”, revela.
Na avaliação dele, muitas pautas internacionais têm relação direta com a realidade que o Brasil enfrenta. Além de ter que saber outros idiomas e trabalhar no exterior seguindo o fuso horário do Brasil, o verdadeiro desafio é tentar dar sentido à realidade que se apresenta em outros países.
Outro desafio destacado é o fluxo de informações que chega via redes sociais. Segundo Carvalho, a transição para o mundo digital pode dispersar as pessoas, mas o jornalismo ainda é um espaço seguro para a população. “É muito valioso e necessário o espaço que nós ocupamos na sociedade. Mesmo com o excesso de informação das redes, o jornalismo, onde ele estiver, propõe confronto de ideias e opiniões, compromisso com a verdade e métodos específicos para comunicar a notícia”. Por esse motivo, os jornalistas devem ocupar o espaço das redes sem abrir mão do compromisso básico de checagem de fatos.
Mesmo com 17 anos de carreira, o correspondente revela ainda se surpreender com a profissão, seja na rua, com personagens e suas histórias únicas, ou com os fatos da geopolítica. “Você pode ter a sensação de já ter visto de tudo, mas eu continuo vendo coisas pela primeira vez”, afirma.
Outro momento marcante de sua carreira foi uma entrevista realizada com uma brasileira logo após ter sido vacinada contra a covid-19, na Inglaterra, primeiro país ocidental a iniciar o processo de vacinação. “Fui a um hospital no primeiro dia da campanha e, do meu lado, apareceu uma brasileira, ao telefone, comemorando sua vacinação. Entrevistei-a ao vivo para a GloboNews por uns 15 minutos. Ela foi a ‘porta-voz’ do sentimento de esperança que todos estavam precisando”.
Os planos de Carvalho ainda não acabaram, já que ele planeja continuar como correspondente e fazer mais matérias especiais para o Fantástico, bem como documentários, livros-reportagens e outros tipos de obras.
Reportagem: Thales Miranda
Supervisão: Renata Fontanetto e Pedro Curi



