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Xenofobia: Uma intolerância presente no cotidiano brasileiro

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A xenofobia é toda e qualquer aversão a pessoas de outro país ou cultura e, assim como o racismo, esta também é uma prática criminosa, conforme consta na Lei 9459, de 13 de maio de 1977. Mas esse preconceito não se limita a estrangeiros. No Brasil, este tipo de discriminação atinge principalmente pessoas da região Norte e Nordeste, e está cada vez mais presente na sociedade, chegando até a casos extremos. No Sudeste, por exemplo, existem entidades neonazistas anti-imigração, que carregam uma bandeira de ódio contra estrangeiros, nordestinos e nortistas, dentre outros grupos. 

 

Na atual edição do reality show Big Brother Brasil, a nordestina Juliette Freire foi alvo de comentários xenófobos por conta de seu sotaque. Alguns participantes, durante a exibição do reality, tiveram falas como “ …lá na terra dessa pessoa é normal assim…” e outros insultos a respeito da maneira de falar da sister, o que repercutiu nas redes sociais e gerou diversas discussões a respeito.

 

O mestre em estudos da Linguagem, Thiago Valadares, formado pela Universidade Federal Fluminense, acredita que a melhor forma de combater a xenofobia é passar aos seus alunos a importância de se mudar a noção de certo e errado, e pensar como um coletivo. “A gente tem um novo modelo de ensino da língua que está focado na noção do que seria adequado ou inadequado no campo da comunicação”. Ele ainda acrescenta que os profissionais da área de educação têm o desafio e a responsabilidade de combater esse preconceito, dentro da sala de aula.

 

A mídia tem um papel importante no combate à xenofobia, podendo influenciar na erradicação de preconceitos e estereótipos, através de suas representações nos veículos de comunicação. Entretanto, na prática, não é isso o que acontece. De acordo com o sociólogo e mestre em ciência política pela Universidade Federal Fluminense, Marcel Albuquerque,  as pessoas das regiões Norte e Nordeste costumam ser retratadas de forma marginalizada e estereotipada. “Utilizar a figura do nordestino sempre como um alívio cômico quer dizer que a gente não consegue observar aquele cara como uma referência ou como uma representação de alguém pra se espelhar, e sim pra rir.”, conclui o sociólogo.

 

Essa distorção da imagem feita pela mídia, juntamente com os episódios de preconceito no dia a dia, podem afetar, também, a saúde mental. A psicóloga Elaine Medina destaca que as vítimas podem desenvolver baixa autoestima, ansiedade e complexo de inferioridade, adotando assim um comportamento de distanciamento no meio social do indivíduo. “O suporte de um psicoterapeuta ou de grupos de apoio é essencial para casos de xenofobia, pois são casos de violência que deixam cicatrizes emocionais e podem prejudicar a vida das pessoas que passam por isso”, completou.

A estudante pernambucana Gabriella Graciano, que presenciou um caso de xenofobia com sua amiga, em Uberlândia-MG. “Pessoas ao meu redor faziam perguntas como ‘Esse tipo de música toca no Nordeste?”’. Ela conta que foi uma pergunta feita com desdém, como se em sua região tivessem parado no tempo e deixado de evoluir. Outro caso ocorreu com a corretora de seguros, Mônica Medeiros, de Manaus. Ela relata sentir xenofobia quando viaja para as regiões Sul e Sudeste. “Quando as pessoas sabem que sou do Norte, perguntam sobre os índios, pensam que moramos na floresta. É cada curiosidade absurda que as pessoas têm aqui do Norte do Brasil”, comenta a amazonense.

 

Equipe: Ana Beatriz Miranda, Arthur Vilela, Brenda Barros, Eloah Almeida, Gabriela Leonardi, Lucas Guimarães e Vivian Valente

Supervisão: Camila Hucs e Yan Lacerda 

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