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Violência contra a mulher: agressão além do que se vê

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O histórico da violência contra a mulher no Brasil e no mundo acontece devido ao sistema patriarcal estabelecido na sociedade, que dá privilégios aos homens. Os danos não são apenas na luta corporal, mas também nos lados psicológico, sexual e moral, que podem ser alvos do agressor. Recentemente, o Talibã, que é formado por fundamentalistas islâmicos, assumiu o poder do Afeganistão, após o presidente abandonar a capital, Cabul. O grupo voltou ao poder depois de 20 anos. Esse retorno trouxe medo para as mulheres, uma vez que no passado estes extremistas proibiram-nas de estudar e muitas tiveram casamentos forçados.

A situação do Brasil não é igual a do Afeganistão, porém o número de relatos da violência de gênero é grande. O país está em quinto lugar no ranking mundial de agressão contra a mulher. De acordo com o Mapa da Violência, entre março e agosto de 2020 ocorreram 479 casos de feminicídio. Com a chegada da pandemia do novo Coronavírus, em março do ano passado, o isolamento social corroborou para o aumento dos casos de agressões domésticas, já que a maioria das pessoas passou a ficar mais tempo em casa.

A psicóloga Elaine Medina acredita que as agressões ocorrem de uma maneira mais recorrente devido, principalmente, a uma sociedade machista e controladora. Além disso, segundo ela, pesquisas apontam que esses crimes são cometidos pelo próprio marido ou companheiro da vítima dentro de sua própria casa. “A desigualdade de gênero, a partir das ideias construídas de gênero e relação, tem como principal causa o machismo. O machismo é a atitude de prepotência, de poder dos homens em relação às mulheres, que descende principalmente do seio familiar”, afirma Medina. 

Os crimes cometidos não se restringem apenas a lesões físicas na mulher, de acordo com o Instituto Maria da Penha. A violência psicológica, como ameaças, chantagem, humilhação e perseguição, também é um delito. Bem como a violência sexual, um tema muito frágil no país, a sociedade vê apenas o estupro como infração, porém o estuprador ou o criminoso sexual podem ser qualquer homem que obrigue e coaja mulheres a participarem ou presenciarem relações sexuais; pratique assédio sexual; exponha e divulgue imagens íntimas da mulher; e explore a mulher sexualmente por meio da prostituição, entre outros. Ainda existe a violência moral, quando ela é atacada apenas por ser mulher, e por último a patrimonial, quando o homem retira da mulher todos os seus bens de valor e sua liberdade financeira. 

O apoio às mulheres que sofreram qualquer tipo de violência é fundamental para que elas se sintam confortáveis em denunciar. Em 2016, o Mapa do Acolhimento foi criado como uma rede de solidariedade nacional, a fim de acolher as vítimas e conectá-las à psicólogas e advogadas que as auxiliem gratuitamente. Com o aumento de casos durante a pandemia, o número de pedidos de ajuda também cresceu na rede. “Passamos a receber mais de 20 pedidos de acolhimento por dia, o que resultou na necessidade de cadastro de mais de 5500 voluntárias nos 27 estados do Brasil”, afirma Thalita Queiroz, assistente social do Mapa do Acolhimento.

Uma pesquisa publicada pelo IBGE afirma que, em 2019, 17,4% das pessoas sofreram violência psicológica no Brasil. A violência psicológica, segundo Thalita, é negligenciada pela dificuldade que a vítima tem em perceber a situação em que se encontra. A assistente social ainda coloca que isso pode abalar a autonomia e a autoestima da mulher, trazendo danos que, quando não tratados, podem ser irreversíveis. “Tais marcas podem ser superadas através do resgate da autoconfiança e da autonomia, por intermédio de uma rede de apoio fortalecida que respeite, aceite e entenda seus limites e pelo acompanhamento de profissionais especializados”.

Há algumas maneiras de uma mulher comprovar estar sofrendo agressões. Segundo a advogada Emily Arantes, a vítima pode se valer de testemunhas, entretanto, estas não podem ter laços sanguíneos. Ela também pode se valer por meio do print de conversas de WhatsApp, com a violência em forma escrita. “Uma gravação durante o diálogo não pode ser usada como prova testemunhal. Para esse tipo de material ser usado, a pessoa que está sendo gravada tem que autorizar e ter consciência de que está sendo gravada. Se isso não acontecer, infelizmente não vale como prova”, finaliza. 

Se você estiver sofrendo algum tipo de violência, qualquer que seja, ligue 180! E recorra à polícia mais próxima a você. 

 

Reportagem: Júlia Araujo | Vivian Valente

Supervisão: Amanda Domicioli | Letícia de Lucas

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