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“Quem manda no mundo? Garotas!”

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“Deve estar saindo com o chefe!”, “Tinha que ser mulher”, “Vai dar conta de conciliar seus filhos, casa e vida profissional?”, “Legal que você conseguiu se estabelecer nessa profissão mesmo sendo mulher”, são algumas expressões utilizadas até hoje em ambientes de trabalho quando se referem às mulheres. Na vida acadêmica, no trânsito, em casa, nos relacionamentos e no trabalho, atitudes machistas que estão enraizadas na sociedade ainda passam despercebidas.

Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esse ano, mostra que, embora mais instruídas que os homens, mulheres ainda possuem dificuldades de acessar cargos de chefia e gerência no mercado. Segundo a pesquisa feita em 2019, apenas 37,4% dos postos de comando existentes estavam sob comando feminino. Apesar disso, o avanço das mulheres em ambientes profissionais majoritariamente masculinos não para. 

O universo da engenharia é um exemplo dessas conquistas. De acordo com os estudos do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) o número de engenheiras registradas por ano no sistema teve um crescimento de 42% entre 2016 e 2018. 

Segundo a engenheira Luíza Duarte, o local de trabalho ainda não é o mais favorável. Para ela, apesar de nos últimos tempos as mulheres estarem cada vez mais na frente das obras, elas ainda não conseguem ter a autoridade necessária para gerenciar uma obra. “Sempre vai ter alguém que não aceita a nossa autoridade.” Ela ainda acrescenta a importância da união feminina, abrindo construtoras e mostrando que são capazes de exercer o mesmo papel de um homem nesta profissão. 

Luíza reitera que sente a necessidade de estar sempre atualizada nos estudos e procurar mais por capacitação. “[preciso] ter muito mais conhecimento para poder alcançar o patamar que um homem tem dentro da engenharia.”. 

O mesmo se passa com a jornalista esportiva Isabelle Costa. Sendo responsável por coberturas de jogos do Flamengo, ela conta que seu ambiente de trabalho é machista e que já presenciou e sofreu situações de assédio. Em uma partida contra o clube em que trabalha e o Atlético Goianiense, um dos dirigentes do Atlético disparou xingamentos não apenas contra os jogadores do time adversário, como também a ela e a outras jornalistas. “Ele começou a aumentar o tom de voz, a colocar o dedo na minha cara. Foi uma situação de muito constrangimento. Ele fez porque eu sou mulher e esperava que eu fosse reagir de forma mais calada, o que não aconteceu”, relatou Isabelle. 

Diferentemente do que costuma acontecer, medidas foram tomadas contra o dirigente atlético-goiano. A jornalista disse que, após sua denúncia, a CBF afastou-o dos jogos, mas que ela não deixou de sentir raiva pela situação. “Se fosse um homem ele não reagiria da forma como ele reagiu.” 

Porém, apesar de ainda haver um longo caminho a ser trilhado, é possível ver mudanças já nas universidades. Alexia Goulart é aluna de Direito na UFRJ e diretora executiva do Diretório Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO). Ela considera que a participação de mulheres em espaços de poder demonstra maior representação e visibilidade, tanto para quem é do núcleo estudantil quanto para quem não participa dele. “[o CACO] é um espaço de acolhimento e que minimamente elas [as mulheres] vão ser acolhidas, ouvidas e levadas em consideração.”, afirmou. 

Outra mudança que a diretora executiva nota é no comportamento dos homens, que passam a tomar consciência do que ocorre com as mulheres. Ela nota que, antes, atos e atitudes machistas aconteciam e eram deixadas de lado, já que quem tinha posições mais elevadas hierarquicamente eram outros homens. “Agora, temos grupos do coletivo de mulheres, em que a gente conversa às vezes e atividades que fazemos, como o acolhimento das calouras. É um lugar onde elas podem falar sobre seus problemas relacionados ao assédio e machismo”, contou.

Reportagem: Carolina Mie | Letícia de Lucas

Supervisão: Ana Julia Oliveira | Camila Hucs

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