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Crítica: Julia Roberts e George Clooney brilham em Ingresso Para o Paraíso

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Ingresso Para o Paraíso, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (08), é a prova de que mesmo já atravessando quatro décadas, o gênero  “comédias românticas com Julia Roberts” ainda tem seu valor. É um filme leve, que não vai te chocar com reviravoltas mirabolantes a cada momento, mas é difícil não ser atraído por sua simplicidade e pelas excelentes performances dos atores. 

Dirigido por Ol Parker, diretor de “Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo!” (2018), o longa se desenvolve pela história de Lily (Kaitlyn Dever), filha de David (George Clooney) e Georgia (Julia Roberts), pais separados que se desentendem constantemente. Após se formar em Direito, a jovem viaja para Bali com sua amiga Wren (Billie Lourd) e se apaixona por Gede (Maxime Bouttier), um produtor local de algas. Então, Lily decide se casar e continuar na ilha. 

A narrativa parte de uma simples premissa: pais divorciados que deixam suas diferenças de lado para impedir sua filha de se casar com um homem que acabou de conhecer, ou seja, evitar que ocorra o mesmo que fizeram 25 anos antes. A partir dessa proposta, a construção do filme se baseia na relação de David e Georgia e as barreiras que ambos enfrentam. Uma fórmula bem eficiente, mesmo que comum no gênero.     

A química entre Clooney e Roberts é do início ao fim a maior conquista de Ingresso Para o Paraíso. Em um primeiro momento, enquanto os dois ainda se detestam, a incessante troca de farpas entre o casal dá origem às melhores e mais cômicas cenas da obra de Ol Parker. As outras personagens não são necessariamente desinteressantes – inclusive todas as circunstâncias envolvendo a família de Gede são geniais – mas o longa é mais cativante enquanto as estrelas estão na tela.  

Em dado instante do filme, David vai ao bar do hotel sozinho e acaba por encontrar Wren. Durante o diálogo, ele comenta detalhadamente sobre a ruína de seu relacionamento com Georgia, uma cena importante para a construção do ex-casal. No entanto, parece que o único propósito da personagem interpretada por Billie Lourd, presente em boa parte do longa, é evitar que David solte essa informação aleatoriamente. Em nenhum momento ela adiciona algo de relevância à trama, ou recebe uma característica além de um curto alívio cômico na função de amiga festeira da Lily.

É difícil dizer que se torna monótono na reta final sem tecer uma crítica negativa, mas, como em outras comédias românticas, algumas atitudes se tornam previsíveis. A partir da chegada do namorado de Georgia ao casamento o rumo da narrativa parece não ter para onde fugir além de uma óbvia conclusão, mesmo que ele produza ótimas cenas.  

No mais, Ingresso Para o Paraíso acerta muito mais do que erra. O clichê de inimigos para amantes funciona muito bem aqui, especialmente pela excelente atuação dos protagonistas. O trabalho do diretor pode ser ofuscado pelas belezas naturais de Bali, mas de modo geral não deixou a desejar em nenhum aspecto. A clássica fórmula das comédias românticas, quando feita com capricho, ainda pode entregar produções de qualidade. 

Crítica por: Pedro Zandonadi

Supervisão: Leo Garfinkel

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