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As regravações de Taylor Swift e o impacto no mundo da música

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Nesta sexta-feira, dia 12 de novembro, Taylor Swift lançou a regravação de seu álbum Red. O lançamento sucede a nova versão de Fearless e possui 30 faixas, sendo 9 delas “From the Vault”, músicas que Taylor escreveu para o álbum original, mas que acabaram sendo descartadas. Em apenas 24 horas, as faixas receberam mais de 90 milhões de reproduções no Spotify,  tornando-se o maior debut de um álbum feminino na História. Antes, o recorde era da própria Taylor, com o Folklore

A cantora também dirigiu, roteirizou e produziu, em seu canal do Youtube, um curta-metragem da canção All Too Well, que ganhou uma nova versão de 10 minutos e conta com a participação de Sadie Sink e Dylan O’Brien. Poucas horas após a estreia, o curta recebeu mais de 10 milhões de visualizações. 

 

Diversos artistas já regravaram os seus trabalhos, mas são poucos os que conseguem fazer sucesso como Taylor fez no relançamento de Fearless e, agora, com o Red. Guilherme Guedes, jornalista musical, enxerga vários fatores para esse cenário, incluindo a maneira com a qual a cantora desenvolveu sua carreira e sua relação com os fãs. “E o estilo dela de compor também já permitia essa conexão maior, porque as pessoas se identificam muito com a forma dela de criar”, diz. O jornalista também analisa a curiosidade das pessoas em escutar a nova versão das músicas. “As pessoas querem ouvir, querem encontrar as diferenças ou para ver se é igual mesmo. Acho que tudo isso acaba gerando um interesse maior”.

O lançamento do Fearless (Taylor’s Versions) ocorreu no dia 9 de abril de 2021 e logo atingiu o topo das paradas de música nos Estados Unidos. Estreando com a melhor semana de vendas de 2021 até então, a regravação de Fearless se tornou o álbum country com o maior debut nos últimos seis anos. 

As regravações dos trabalhos antigos de Taylor têm um peso ainda maior para a artista e os seus fãs, considerando como foi difícil para ela ter direito sobre suas músicas. Em 2018, ela deixou a gravadora Big Machine, e um ano depois, a empresa foi comprada por Scooter Braun. Taylor Swift publicou um texto, na época, expondo que havia tentado adquirir suas músicas, porém recuou ao perceber que o produtor continuaria a receber grande parte do lucro por seu trabalho. O produtor, famoso por trabalhar com outros artistas, como Justin Bieber e Kanye West, já havia sido acusado de ter praticado bullying contra Swift. Além disso, Scooter também tentou impedir a cantora de utilizar as suas músicas em seu documentário, Miss Americana, e de performar elas no Video Music Awards de 2019.

Em 2020, Taylor conseguiu a autorização para regravar seus primeiros cinco álbuns, causando comoção nos fãs. Entretanto, seu contrato estabelece que a regravação só é permitida após cinco anos do lançamento da obra, o que irá atrasar o relançamento de Reputation, que saiu em 2017. João Vazquez, integrante da banda Aquino e a Orquestra Invisível, explica que muitos artistas, na intenção de querer que seus projetos atinjam um número grande de pessoas, acabam assinando contratos que possuem condições desfavoráveis. “Principalmente na pandemia, acho que boa parte dos artistas ficaram sem renda alguma porque a maior parte da renda dos artistas vem dos shows. Agora, se você não tem o direito sobre as suas músicas, você deixa de arrecadar também com a música tocando na rádio, no Spotify, Apple Music e tudo mais”, completa.

Outros músicos, como Beatles, Michael Jackson e Gilberto Gil tiveram atritos com suas gravadoras, e Kanye West também chegou a brigar pelo direito de ser dono de suas músicas. O jornalista Guilherme Guedes explica: “Acho que é uma discussão que está longe de acabar, mas ter um artista do tamanho da Taylor alimentando esse debate é, certamente, muito importante”. Ele ainda comenta como a indústria fonográfica sempre encontrou formas de explorar os artistas. “Os artistas são, na maioria dos casos, os principais responsáveis pela obra que está sendo assinada com o nome deles, mas frequentemente não recebem o justo”.

Ana Amélia de Sá, uma das administradoras do fã clube Taylor Swift Brasil, acredita que a artista será capaz de surpreender a cada lançamento, com um amadurecimento visível e mudanças de arranjos nas músicas. “Como fã, enxergo nas regravações não só uma forma de Taylor finalmente ser dona da arte dela, mas também uma ótima oportunidade de revisitar quem ela era e ver que no fim, mesmo as coisas ruins passam”, finaliza.

Reportagem: Gabriela Leonardi | Juliana Ribeiro | Maria Clara Patrício

Supervisão: Letícia De Lucas

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