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A popularização dos animes no Brasil

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Animes são desenhos animados japoneses que surgiram em 1958 com o filme “A Lenda da Serpente Branca”, produzido pela Toei Animation. Foi então que os estúdios de animação do Japão começaram a utilizar o mangá, que são quadrinhos japoneses que seguem um formato diferente dos ocidentais, como base de conteúdo para as histórias contadas através dos desenhos animados.

Em muitas produções ocidentais baseadas em quadrinhos, as histórias contadas nas HQs servem apenas como base, e muitos fatos são reproduzidos de forma diferente quando passado para as séries e/ou filmes. Já as animações japonesas, boa parte delas seguem à risca os acontecimentos dos mangás, os episódios que desviam do conteúdo dos quadrinhos, são chamados de filler, que são capítulos feitos para prolongar a duração de um anime. Eles são bem comuns em produções mais antigas, como Dragon Ball Z e Naruto, que eram transmitidas semanalmente nos canais de TV.

Diversas produções orientais dos anos 80, como Cavaleiros do Zodíaco e Super Campeões, chegaram ao Brasil por meio do extinto canal de televisão Rede Manchete, fazendo muito sucesso e posteriormente sendo incluídos na programação de outros canais abertos. A consolidação das animações japonesas foi durante os anos 90, quando elas eram passadas em programas infantis com apresentadores realizando brincadeiras entre os episódios.

Eduardo Miranda, chefe da divisão de cinema da Rede Manchete entre 1993 e 1999, afirma que não houve um evento especial para a vinda dos animes ao Brasil, e que eles foram trazidos por conta da demanda por programações infantis das televisões da época, e por serem mais uma opção entre os desenhos americanos e europeus. Além disso, Eduardo diz que Cavaleiros do Zodíaco foi pioneiro na questão da popularização, “Eu costumo dividir a questão dos animes no Brasil entre A.C e D.C, antes de Cavaleiros e depois de Cavaleiros.” Ele conclui dizendo que o anime foi um fenômeno, e que isso se deve por conta deles terem trazido o mesmo hábito das novelas para as animações.

Foto: wallpapercave.com

Porém, no início dos anos 2000, os animes perderam sua força e espaço na TV aberta, restando poucos ainda no ar, e em sua maioria em canais fechados. A grande crescente de serviços de streaming no mercado surgiu como um passo natural para as animações japonesas, e as plataformas, percebendo a sua popularidade, começaram a investir nelas. A Netflix teve um papel muito importante para que essas produções voltassem a ser populares como eram nos anos 90, visto que, quando a plataforma de streaming começou a se tornar conhecida no Brasil, ela já tinha em seu catálogo animes que hoje são muito conhecidos no país, como Death Note, Naruto, Bleach, One Piece, entre outros. Além disso, também temos o exemplo de Demon Slayer, que foi um animação lançada em 2019, e ficou bem conhecida na região em 2021, ao ser adicionada à Netflix.

Com o passar do tempo, a plataforma passou a produzir animes de autoria própria, como Kengan Ashura e Beastars, ou até adquirir os direitos de produção de animações já conhecidas e fazer novas temporadas, que foi o que aconteceu com The Seven Deadly Sins, e o que está acontecendo hoje com JoJo’s Bizarre Aventures. No caso de JoJo’s, que já era um anime muito conhecido tanto no Brasil quanto no mundo todo, a Netflix comprou os direitos e produziu a parte 6, chamada de Stone Ocean, que será dividida em 3 partes. Essa temporada teve os primeiros 12 episódios lançados no dia 1 de dezembro de 2021, e os outros 24 capítulos ficarão disponíveis em breve.

No Brasil, existem duas plataformas de streaming que são totalmente voltadas para animes: Crunchyroll e Funimation. A primeira, que está em atividade desde 2006,  chegou à marca de 3 milhões de assinantes pagos no mundo todo em 2020. No ano de 2021, a empresa quase dobrou o seu número de usuários premium, ultrapassando a marca de 5 milhões de pessoas, de acordo com números divulgados pelos próprios funcionários. O fã de animes Ygor Barros, afirma que essas duas plataformas possuem uma importância para as animações japonesas no Brasil, por conta de elas serem um meio legalizado que faz com que os fãs tenham acesso aos mais novos lançamentos, praticamente no mesmo momento em que eles ficam disponíveis no Japão. “Um exemplo disso é o que aconteceu com o episódio 1000 de One Piece, a Crunchyroll lançou legendado em português, na mesma hora em que foi lançado no próprio Japão”, disse o estudante.

Foto: O Megascópio

A qualidade da dublagem brasileira é inegável, e ela contribui até hoje para a popularização dos animes no Brasil. Ygor afirma que a dublagem das animações japonesas no país é muito importante, porque alcança mais pessoas, assim dando cada vez mais popularidade às animações orientais. Vozes como a de Son Goku, dublada por Wendell Bezerra, são até hoje muito marcantes para boa parte dos brasileiros fãs de anime, e em muitas vezes, as pessoas, independente de qual produção Wendell esteja participando, continuam associando a sua voz à de Goku. 

Apesar de não ter um grande número de assinantes no Brasil, a Funimation está fazendo um ótimo trabalho dublando em português diversos animes que estão em alta no país. Um exemplo disso é a dublagem de Attack on Titan, que, por conta da intensidade e da qualidade das vozes japonesas na animação, dublar o anime em português era algo considerado muito difícil pelos fãs, e ao ser lançado, foi aprovado por muitos. 

O impacto dos animes no público brasileiro levou alguns fãs a buscarem mais formas de consumir a cultura japonesa e dos desenhos animados, com isso, diversos festivais começaram a chamar a atenção de jovens. Foi então que eventos voltados para as animações japonesas surgiram e viraram sucesso rapidamente, como o Rio Anime Clube e o Anime Friends, que, de acordo com dados próprios, já reuniu aproximadamente 120 mil pessoas em uma edição. Neles, os fãs podem encontrar vários produtos de seus animes favoritos, como roupas e acessórios, mangás, comidas, jogos e competições de “cosplays”, que é se fantasiar como um personagem. Além disso, os eventos realizam mesas com dubladores e, de vez em quando, com os próprios autores das obras.

 

Reportagem: Gabriel Rechenioti e Guilherme Rezende

Supervisão: Brenda Barros

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