Quando a notícia vem de várias fontes: os desafios do jornalismo esportivo na visão de Fabio Seixas
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Com a expansão das redes sociais, o jornalismo esportivo ganhou uma nova cara, com clubes e entidades produzindo o próprio conteúdo. As informações que antes dependiam da imprensa para chegar ao público hoje são divulgadas pelos próprios jogadores, clubes, instituições ou influenciadores. Essa dinâmica mudou a relação entre jornalistas e fontes. O assunto foi levantado por Fábio Seixas durante a Semana do Jornalismo da ESPM-Rio. Atual diretor de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ele esteve presente no evento na manhã do dia 9 de setembro.
Ele passou grande parte de sua carreira em redações como a da Folha de São Paulo, acompanhando diferentes fases do jornalismo. Durante o evento, ele comentou sobre como as grandes redações fazem falta no desenvolvimento do jornalista: “As pessoas aprendiam na redação e, hoje, as grandes redações acabaram. Então, a faculdade tem um papel ainda maior no desenvolvimento do jornalista”.

Foto: Gustavo de Paula
Para Seixas, a transformação que ocorreu no mercado modificou a atuação do jornalista esportivo, que passou a disputar espaço para conseguir publicar primeiro e ter acesso a informação de qualidade e original. Mesmo com as mudanças, ele alerta: “Os preceitos e princípios do jornalismo continuam os mesmos, só o que mudou é a plataforma na qual publicamos”.
Ainda nessa realidade, clubes e entidades esportivas passaram a investir em equipes próprias de comunicação e de redes sociais. Essa mudança facilita o acesso à informação, mas também levanta uma questão: até que ponto o conteúdo produzido pelas próprias instituições pode limitar o trabalho jornalístico?
Segundo Seixas, é nesse momento que o profissional passa a ter como principais atributos a capacidade de apuração, de contextualização dos fatos e de questionamento. Não importa o local de trabalho, o principal objetivo de qualquer jornalista sempre deve ser comunicar com clareza e responsabilidade para os diferentes públicos. Público esse que, segundo ele, saberá diferenciar a boa da má informação: “A própria audiência faz uma curadoria. Ligar o celular e falar aos montes todo mundo faz. O tempo se encarrega de apontar quem faz bom jornalismo e quem não faz”.
Reportagem: Guilherme Autran Ferro
Apoio: Gustavo Medeiros
Supervisão: Renata Fontanetto

Foto: Manu Vasil



