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Do veto de 1941 ao Mundial em casa: como cobrir a Copa Feminina de 2027

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Em mesa na ESPM-Rio, produtoras da CazéTV discutiram os bastidores da transmissão do primeiro Mundial Feminino disputado no Brasil.

Como se cobre uma Copa do Mundo com 64 jogos em oito cidades? A questão guiou a mesa “Cobertura Esportiva: bastidores, transmissões e a força feminina no esporte”, da Semana do Jornalismo da ESPM-Rio, que reuniu Gabriela Estrella e Nina Ribeiro, produtoras da CazéTV, para falar do Mundial Feminino de 2027, o primeiro disputado no Brasil. 

Marcada para 24 de junho a 25 de julho de 2027, a competição será também a primeira Copa Feminina realizada na América do Sul. Serão 32 seleções e 64 partidas, divididas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador.

Foto: Kaylane Pedroso

 

Jogar em casa, segundo as produtoras, resolve boa parte da logística. “A língua é o principal. A gente tá no Brasil, a gente tá em casa, é uma logística muito mais fácil”, afirmou Gabriela Estrella. Em coberturas internacionais, disse ela, o idioma é justamente o que permite construir relação com atletas, comissões técnicas e torcedores de outros países.

O que nenhum planejamento elimina, segundo as duas, são os “perrengues” que aparecem em qualquer cobertura. Estar preparado para circunstâncias diferentes e encontrar soluções rápidas seriam habilidades que se desenvolvem com experiência — e que dependem, afirmaram, de criatividade, jogo de cintura e conhecimento de quem está na equipe.

A cobertura da Copa do Mundo masculina de 2026 serve de ponto de partida para 2027. A ideia, segundo as produtoras, é repetir estruturas e formatos que deram certo e, ao mesmo tempo, testar possibilidades novas. Entre elas estão a criação de programas fixos durante o torneio e a distribuição dos profissionais conforme os talentos de cada um.

Para Nina Ribeiro, a cobertura esportiva pode ir além do jogo e revelar personagens distantes da realidade do torcedor. “Isso é uma marca que a gente quer deixar nas pessoas, de que a gente realmente aproxima o público das pessoas que eles só veem na TV”, afirmou. A intenção, segundo ela, é que as próprias jogadoras se reconheçam na linguagem da emissora. Estar perto da seleção fora dos grandes jogos seria parte dessa estratégia: “Onde a seleção feminina tá, nós estamos também”, resume ela.

Uma Copa para aproximar o público

Conquistar público, porém, é processo, disseram as produtoras. Um dos desafios apontados foi alcançar espectadores mais jovens que ainda demonstram resistência ou pouco interesse pela Copa Feminina. Entender quem está assistindo e encontrar formas diferentes de apresentar o esporte seriam, segundo elas, os caminhos. A seleção brasileira é a seleção feminina de futebol mais seguida no Instagram, número que a emissora vê como ponto de partida promissor.

O peso da competição também é histórico. O futebol feminino foi proibido no Brasil pelo Decreto-lei 3.199, de 1941, e só voltou a ser oficialmente permitido em 1979, quase quatro décadas de veto, com regulamentação da modalidade apenas em 1983. O Mundial chega, portanto, a um país que ainda discute reconhecimento e profissionalização da modalidade.

Há ainda um possível encerramento de ciclo. Marta, maior referência da história do futebol feminino brasileiro, poderá disputar seu último Mundial, caso seja convocada, o que aumenta o peso simbólico do torneio e, como observaram as produtoras, cria expectativas novas para quem vai cobri-lo

Para Nina Ribeiro, a cobertura esportiva pode ir além do jogo e revelar personagens que, muitas vezes, estão distantes da realidade do torcedor. “Isso é uma marca que a gente quer deixar nas pessoas, de que a gente realmente aproxima o público das pessoas que eles só veem na TV”, ressalta.

 

Nina Ribeiro, jornalista e produtora na CazéTV. – Foto: Kaylane Pedroso

 

Entre os desafios está alcançar espectadores mais jovens que ainda podem apresentar resistência ou pouco interesse pela Copa Feminina. Para isso, entender quem está assistindo e encontrar formas diferentes de apresentar o esporte são estratégias importantes.

A ideia é acompanhar os atletas não apenas durante os grandes jogos, mas também nos diferentes momentos que constroem a relação do público com a equipe.

Gabriela Estrela, produtora executiva na CazéTV – Foto: Kaylane Pedroso

 

A dimensão histórica da competição reforça a importância dessa cobertura. O futebol feminino foi proibido no Brasil por mais de quatro décadas, e a prática só voltou a ser oficialmente permitida em 1979. A realização do Mundial no país, portanto, acontece em um cenário marcado por uma trajetória de resistências e pela busca por maior reconhecimento e profissionalização da modalidade.

A Copa de 2027 também pode marcar o fim de um ciclo para algumas das principais jogadoras brasileiras. Marta, maior referência da história do futebol feminino nacional, poderá disputar seu último Mundial, caso seja convocada. A possibilidade aumenta o peso simbólico da competição para os torcedores e cria novas expectativas para a cobertura esportiva.

 

Reportagem: Luisa Teixeira.

Supervisão: Pollyanna Brêtas e Renata Fontanetto.