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Mulheres na segurança pública

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A presença de mulheres trabalhando na segurança pública vem aumentando significativamente nos últimos tempos. Em março deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a criação da Política Nacional das Mulheres na Área de Segurança Pública, que destina ao menos 20% das vagas em concursos públicos para mulheres. Além disso, o projeto prevê o aumento da licença-maternidade para, pelo menos, 180 dias e a igualdade na ocupação dos cargos gerenciais, com o objetivo de atrair novas profissionais para os cargos.

Apesar dos avanços, foi somente no ano de 1955 que as mulheres passaram a exercer o cargo de policial no Brasil – mais especificamente no estado de São Paulo. Na época, elas atuavam limitadamente no chamado Corpo de Policiamento Especial Feminino da Guarda Civil, sob a liderança da comandante Hilda Macedo, e eram encarregadas da proteção de outras mulheres e crianças. Atualmente, as mulheres estão presentes nas áreas da segurança pública em todos os estados brasileiros. De acordo com dados do IBGE, houve uma redução de profissionais na área do ano de 2014 para o de 2019, mas com um aumento de 1,2% de mulheres atuantes.

Mesmo estando presentes há 67 anos na corporação, algumas policiais ainda sofrem com preconceitos em relação a sua profissão. Segundo a delegada Aline Lopes, “Algumas pessoas não estão acostumadas com mulheres em posições tradicionalmente ocupadas, em sua maioria, por homens. Por vezes, há questionamentos, tentativas de intimidação, mas são situações contornáveis a depender da postura adotada”. Já a policial militar Daiane Rodrigues relata que já sofreu assédio moral e físico, porém conseguiu se impor e sair da situação em que foi colocada. 

Ainda que ocorram assédios dentro e fora da corporação, a policial militar Layssa Delgado afirma ter uma boa relação com seus colegas de trabalho: “O respeito está acima de tudo, afinal convivemos 24 horas a cada três dias, se não existir respeito, fica impossível de se trabalhar.”  Já a policial civil Fernanda Bellin afirma ter sofrido assédio moral de um superior na instituição, além de ter sido desrespeitada por colegas de trabalho.

Segundo Aline, muitas mulheres têm receio de trabalhar com segurança pública devido ao risco inerente à atividade, que acaba assustando algumas pessoas. Além disso, ela diz que ainda há a questão de os cargos policiais serem ocupados tradicionalmente por homens, o que gera um enfrentamento, como se as testassem para ver se aguentam o “rojão”.

Com um número crescente de mulheres na corporação, o ambiente está mudando aos poucos, de acordo com a delegada Aline: “Embora ainda haja machismo enraizado na população, acredito que tivemos grandes avanços. No entanto, há espaço para muito mais. Sou policial há nove anos, e já percebi mudanças positivas.” 

Reportagem: Gabriela Arditti, Julia de Paulo e Júlia Vianna

Supervisão: Anna Julia Paixão, Luana Maia e Maria Eduarda Martinez

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