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A mudança dos direitos de transmissão do futebol no Brasil

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O ano de 2020 foi atípico em diversos setores do mercado, e no ramo televisivo isso não foi diferente. Os canais do Grupo Globo dominaram os direitos de transmissão por décadas, monopolizando campeonatos como os Estaduais, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, vistos como os mais lucrativos, visando o público brasileiro. Porém, esse ano, parte desse monopólio foi quebrado, em decorrência de alguns fatos, como a Medida Provisória do mandante, feita pelo presidente Jair Bolsonaro e a volta do crescimento de outros canais no aspecto esportivo.

As transmissões do futebol internacional também sofreram várias mudanças nos últimos tempos. A compra da Fox pela Disney, acabou fundindo os canais Fox Sports e ESPN, antes concorrentes, agregando os direitos de transmissão de ambos. Além disso, o Grupo Band voltou a investir no futebol internacional, trazendo de volta à TV aberta o campeonato italiano, retornando uma parceria de grande sucesso. Um novo método de assistir os campeonatos internacionais que vem ganhando força no Brasil, são os serviços de streaming, como EI Plus, Onefootball e DAZN. 

Essa divisão entre diferentes canais e plataformas deve crescer ainda mais nos próximos anos. Para o professor de marketing Marcelo Boschi, a tendência é que os clubes passem a exercer um direito cada vez mais importante em relação a transmissão, sendo assim, fazendo negociações mais vantajosas para eles particularmente, “acho que haverá uma perda de importância da exclusividade”, completou o professor. Segundo Marcelo, uma nova estrutura de poder será construída, por conta de uma capacidade de negociação individual  dos clubes. Isso gerará discussões sobre formatos, exclusividades e divisão de dinheiro.

Os serviços de streaming também estão entrando com força na concorrência pela transmissão de partidas. Competições como Champions League e os campeonatos Italiano, Alemão e Francês, que têm uma grande demanda no Brasil, já pertencem a esse novo formato de assistir futebol. Marcelo pensa que com a chegada intensa dos serviços de streaming o mercado ficará muito aguerrido, na opinião dele, nos próximos anos haverá uma grande marca de streaming de esportes, causando ainda mais disputas no mercado. “Na minha opinião, o streaming vai destruir o que a gente entendeu de televisão na última década”, completou o professor.  

Uma das tradições do público brasileiro sempre foi assistir aos jogos da seleção nacional na TV aberta, sendo algo de fácil acesso para grande parte da população. Porém, no ano de 2020, a Rede Globo não entrou em acordo com a Conmebol para a transmissão dos jogos da seleção brasileira como visitante. Sendo assim, o serviço de streaming do EI Plus (subdivisão do Esporte Interativo) e o pay per view do BandSports assumiram as transmissões do Brasil nas partidas fora de casa, nas primeiras rodadas. Todos esses fatores causaram uma grande repercussão negativa, pois, contra o Uruguai, pela primeira vez em 19 anos a seleção brasileira não teve a partida televisionada em canal  aberto. Até agora, o futuro sobre a transmissão das partidas fora de território nacional está indefinido por conta de altos valores pedidos pelas federações nacionais para emissoras e serviços. 

Por conta de toda essa indecisão, comentaristas e analistas influentes no meio do futebol pensam que o torcedor está se distanciando cada vez mais da seleção brasileira. Para o sociólogo Marcel Albuquerque, a diminuição do interesse das pessoas pela seleção é um processo em curso há um tempo, isso acontece por conta de alguns motivos, como o fato dos jogadores saírem muito cedo do Brasil para jogar na Europa, fazendo com que não haja uma identificação com os jogadores convocados. Ele também pensa que o espaçamento entre competições de grande porte, envolvendo seleções, também dificulta o interesse dos torcedores. “O interesse em seleções em geral diminuiu quando comparado ao interesse em clubes, tanto é que a Copa do Mundo, por mais que gere uma audiência imensa,  isso se dá muito por conta de ser um evento a cada 4 anos”, comenta o sociólogo.

  • Grupo Globo é composto pela TV Globo, pelos canais Sportv e pelo Premiere, que é o serviço de pay per view disponibilizado pela globo para a transmissão do Campeonato Brasileiro e Campeonatos Estaduais;
  • O Campeonato Carioca não consta na lista de Campeonatos Estaduais transmitidos pelo Grupo Globo;
  • Eliminatórias Sul-americanas no Grupo Globo: Apenas jogos de Brasil e Argentina em casa;
  • O Grupo Bandeirantes é composto pelos canais Band e BandSports, além do serviço de pay per view do BandSports;
  • Eliminatórias Sul-americanas no Grupo Bandeirantes: Apenas nas primeiras rodadas, a negociação para o resto da competição ainda está em aberto;
  • O Grupo Disney é composto pela fusão dos canais ESPN juntamente aos canais da  Fox Sports;
  • Grupo turner é composto pelo Esporte Interativo, que transmite os jogos através da TNT e/ou Space, no Facebook Watch e no EI Plus, que é o serviço de streaming feito pelo Esporte Interativo;
  • Eliminatórias Sul-americanas no Grupo Turner: Apenas nas primeiras rodadas, a negociação para o resto da competição ainda está em aberto;
  • A plataforma de streaming OneFootball é totalmente gratuita, basta baixar o aplicativo 

Reportagem: Gustavo Vieira e João Pedro Camero

Supervisão: Ana Júlia Oliveira, Carolina Mie e Patrick Garrido

 

 

 

 

 

 

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