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Depilação feminina e a liberdade do corpo da mulher

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A depilação feminina é atualmente discutida por diversos motivos, entre eles a liberdade sobre o corpo da mulher. Historicamente falando, o ato de remoção de pelos existe há muitos séculos e era exemplo de feminilidade e fragilidade. Registros feitos da época do Egito Antigo mostravam que as mulheres usavam argila, sândalo e mel para retirar os pelos das axilas. Já na Grécia antiga, as mulheres utilizavam um instrumento curvo, que lembra a lâmina depilatória de hoje, que tinha 30 centímetros e removia os pêlos, chamado estrigil. Há inclusive cartas de Pero Vaz de Caminha com informações de que as índias brasileiras não possuíam pelos pubianos e utilizavam espinha de peixe afiada para retirá-los. Na Europa, o excesso de pelos em mulheres já foi associado à bruxaria, insanidade e descontrole sexual.

 

As mulheres hoje abordam o assunto da depilação com palavras como aceitação, empoderamento, controle e autossuficiência. O amor próprio também é muito relacionado a isso, como explica a estudante Giovanna Felix. “Eu me perguntei: Pra que sentir essa dor toda? O que tem de tão errado assim com os pêlos que nascem e crescem naturalmente em mim e em qualquer outra pessoa do mundo? O que é tão abominável assim neles? E se as pessoas se fizerem a mesma pergunta, elas vão chegar à mesma conclusão que eu: depilação não passa de dor desnecessária, e não só com cera ou pinça, passar a gilette dói também! Dá alergia, irrita a pele, coça… Enfim, entre me amar assim e maltratar o meu corpo pra me mudar, eu prefiro mil vezes me amar assim.”

 

A depilação feminina é um tabu. Desconstruí-lo faz parte da compreensão sobre o poder da mulher em relação ao próprio corpo. O Brasil é um dos países com maior frequência de depilação do mundo, 8 vezes ao mês, de acordo com a Revista Abril, contando com diferentes partes do corpo, o que dificulta a aceitação dos pelos. Hoje, muitas mulheres apenas se depilam quando acham necessário, sem regularidade. “Depilação é opção, é pessoal. Às vezes faço, às vezes não. Não é regra, algo que eu tenho que fazer, e sim que posso ou não fazer. Eu escolho.” Comenta a estudante Isabella Alves.

 

Foto: Renata Miwa/Abril Branded Content

 

“Para mim depilação é sobre controle. É mais um dos rituais de feminilidade que seguimos e nem sabemos direito o por quê, é automático. É enfiado na nossa cabeça desde que somos crianças que pelo em mulher é nojento, feio, parece homem. Quando eu pergunto para as mulheres porque elas se depilam as respostas sempre são “porque é feio” ou “porque é anti-higiênico” ou “porque eu gosto”. Isso são coisas que são enfiadas na nossa cabeça. Já foi comprovado que pelo não é anti-higiênico, pelo contrário, protege.” Conta Manuela Maria, criadora da página “Mulheres com Pelos” no Instagram, que tem como objetivo enaltecer os pelos femininos, mostrando que é possível se amar com eles ali.

 

Atualmente, a depilação é muito mais que uma questão de estética. Se trata da quebra de tabus, do aumento da liberdade da mulher e mostra que o estereótipo da ligação dos pelos com sujeira é errado, uma vez que eles protegem o corpo de bactérias e sujeiras. Confira a entrevista com Larissa Lagares sobre o tema:

 

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1 comentário

  1. Andréa 11 de abril de 2019

    Muito interessante e pertinente o tema. A opção de ter pelos ou não deve ser respeitada.

    Responder

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