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A MODA NOS GAMES

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O consumo por jogos de videogame cresceu exponencialmente nos últimos anos. Segundo dados levantados pelo Datafolha em 2018, 44% dos “gamers” jogam diariamente, 93% assistem com frequência a vídeos sobre games na internet, 73% jogam em consoles, 67% em computadores e 56% em tablets e celulares. Dentro desse universo, as skins fazem sucesso entre os jogadores. Elas são usadas para customizar seus avatares, através de roupas e acessórios, podendo ou não ter funcionalidade no jogo. Com esse mercado expandindo, a indústria da moda explora um novo meio de apresentar suas peças, e marcas como Gucci ou Louis Vuitton estão investindo nessa nova tendência de roupas virtuais. 

Essas formas de customização servem para evidenciar a identidade do usuário, assim como a moda física. A fusão entre grandes marcas e jogos, que fazem bastante sucesso com o público jovem, tem sido cada vez mais comum. Com a pandemia da COVID-19, as marcas de roupas ou acessórios viram uma oportunidade de se inovar através dos games e, em 2020, o jogo Animal Crossing trouxe grifes como Marc Jacobs e Valentino para seus jogadores. Porém, essa não foi a primeira vez, já que no ano de 2019, no jogo  “League of legends” (LoL) muitos tiveram a oportunidade de comprar peças virtuais da marca de luxo Louis Vuitton.

A indústria da moda sempre teve grande influência na vida da população mundial. O Brasil está entre as cinco maiores Semanas de Moda do mundo, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil de Confecção. O estudante de moda da PUC-RJ, Breno Samel, de 19 anos, afirma. “A moda é uma maneira com a qual nos mostramos ao mundo, mesmo que inconscientemente, e é uma importante ferramenta de pertencimento e diferenciação.”. Além disso, ele também diz que hoje em dia a relação das pessoas com as peças de roupas mudou e vai muito além de um simples consumo. Existe, atualmente, uma preocupação se os materiais utilizados são orgânicos, poluentes, reciclados ou se a mão de obra é justa.

O graduando ainda destaca que a introdução da moda no mundo digital foi uma boa alternativa durante o período de pandemia, em que o isolamento social foi necessário. Apesar de as skins já existirem há um tempo, Breno coloca que o uso delas se intensificou no último ano e que isso é algo que valoriza o mercado da moda. “Creio que os jogadores cada vez mais buscam pela máxima personalização. Além disso, a moda dos games pode servir como uma vitrine virtual para que o mercado físico se movimente.” evidencia Samel.

Por outro lado, a jogadora de The Sims, Camila Baptista, de 19 anos, enfatiza que a inserção de novas tendências auxilia os desenvolvedores a tornarem a parte visual dos videogames mais atrativa aos usuários. Ela ainda afirma que, mesmo sem perceber, é induzida a querer os produtos que o The Sims apresenta. “É difícil de aceitar, mas a influência é inegável, você está olhando aquelas roupas por horas, com certeza te deixa com vontade de comprar peças parecidas.”, conta Camila. 

Breno acrescenta que a possibilidade de possuir, mesmo que não fisicamente, roupas de grifes caríssimas, faz com que isso seja uma forma de trazer novos públicos e dar a eles uma perspectiva do que aquela marca é. “Vestir uma roupa da Louis Vuitton num game oferece ao jogador a possibilidade de possuir, mesmo que não fisicamente, um produto que possui um enorme valor agregado.” pontua o estudante. 

Entretanto, é importante destacar que a publicidade dentro de alguns jogos é feita de uma maneira mais velada, o que ajuda a manipular a opinião e a vontade dos gamers sem que eles notem. Camila Baptista acredita que seria melhor jogar sem qualquer tipo de propaganda. “Me preocupa a utilização dos jogos para fazer publicidade para artigos de vestuário, acredito que precisa ser algo bem claro e declarado, o que com certeza vai gerar controvérsia, mas não pode ser realizado às escuras, sem deixar claro para os jogadores que eles estão sendo expostos à uma ferramenta de marketing.” diz a jovem.

 

Reportagem: Júlia Araujo | Vivian Valente

Supervisão: Gabriela Leonardi | Juliana Ribeiro

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