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TRANSformação na política

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O retrato da política brasileira historicamente é masculino, branco, hétero e cisnormativo. Entretanto, nas últimas eleições municipais de 2020, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o número de candidatos transexuais teve um aumento de 257%  para vagas nas prefeituras e na câmara dos vereadores, em comparação às eleições de 2016. 

A violência contra a comunidade trans é um problema sistemático no país. Um exemplo disso aconteceu na Semana da Visibilidade Trans, que foi celebrada na última semana de janeiro, quando 3 parlamentares, Erika Hilton, Samara Sosthenes e Carolina Iara  foram vítimas de ataques transfóbicos em São Paulo. Segundo a ONG Transgender Europe (TGEU), que monitora 71 países, o Brasil mantém a posição de país que mais mata transexuais no mundo, o que evidencia ainda mais a importância da representatividade trans nos espaços políticos.

Dani Balbi, professora e candidata a deputada estadual no Rio de Janeiro, fala sobre como a grande mídia e uma pequena parcela do movimento feminista ainda resiste à inclusão das mulheres trans. No entanto, a candidata ressalta que essa realidade está mudando. “A maior inserção de mulheres trans na construção de coletivos feministas vem se tornando uma realidade cada vez maior, cada vez mais expressiva e consolidada”, afirma.

Por ser a primeira professora trans da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dani Balbi acredita que a sua trajetória dentro do meio docente é de grande importância. Para ela, significa um caminho rumo à emancipação das mulheres transexuais, que tanto sofrem pela transfobia no sistema de ensino. A candidata ainda expressa a necessidade da luta institucional, sobretudo em tempos de autoritarismo, e reconhece que a escolha pela vida acadêmica a levou à política. “Fui lutando por reafirmação, militando nos coletivos, me expressando e conquistando visibilidade”, confessa.

Para Gilvan Masferrer, vereadora em Uberlândia, é preciso questionar a visibilidade feminina e reivindicar espaços na política. “A mulher não é vista, não pode ocupar espaços que são masculinos. E quando se tem mulher, ela sofre repressão”. No entanto, datas como o dia internacional da mulher, que deveriam dar visibilidade a elas, ainda são muito questionadas por terem um papel comercial. Segundo Gilvan esse é um dia para se lembrar de todas, independente de cor, raça ou gênero. ”Apesar de sermos mulheres trans, nós precisamos ser vistas, porque nós somos mortas todos os dias.”

No ponto de vista da atriz e compositora, Louise Margô, o dia 8 de março deveria assumir um papel político. “Para que possamos revisitar não só no dia das mulheres, mas sim, em todos,  a mulher e a pluralidade desse gênero”, disse. De acordo com a compositora, a data deveria ser considerada como forma de reivindicar lutas e pautas que cada uma carrega individualmente. 

A artista também fala como é fundamental que mulheres trans ocupem espaços dentro da política. “Para que esse grupo possa ser representado por pessoas com vivências semelhantes, reivindicando direitos e espaços”, aponta Louise Margô. Ela ainda enfatiza a importância de um sistema de leis que ofereça melhores chances e condições aos direitos básicos.

Gabriela Guignard, estudante de design na ESPM, expõe a importância do dia 8 de março para as mulheres trans. De acordo com a estudante, a data é significativa uma vez que expressa a luta por igualdade sendo reconhecidas como mulheres. Com relação às mulheres trans no espaço político, Gabriela acredita que é importante desmistificar a imagem que elas têm carregado ao longo dos anos. “Mostrar que os tempos mudam, e cada vez mais veremos representatividade chegando em lugares onde não imaginávamos”, menciona. 

Para a socióloga Silvia Borges, vivemos em uma democracia representativa. Sendo assim, é importante que diferentes grupos sejam representados nos cargos legislativos, executivos e judiciário. “Você aumenta a representatividade, você começa a normalizar, com muitas aspas, a presença das mulheres trans nesse âmbito da vida social também”. Conforme a professora, existe uma disputa interna no movimento feminista sobre as vozes: quem pode falar sobre quem e quem representa quem. Desse modo, é importante incluir as mulheres trans nessas reivindicações. 

Reportagem: Bruna Bittar, Eloah Almeida, Filipe Bias, João Pedro Abdo e Leonardo Marchetti

Texto: Alberto Ghazale, Bruna Bittar, Juliana Ribeiro

Supervisão: Ana Júlia Oliveira e Carolina Mie

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