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Os desafios da alfabetização na quarentena

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Hoje, dia 8 de setembro, é comemorado o dia mundial da alfabetização. Esta data foi criada neste mesmo dia, em 1967, pela UNESCO, com objetivo de ressaltar a importância da alfabetização no desenvolvimento social e econômico mundial. Entre os anos de 2018 e 2019, a taxa de analfabetismo no Brasil caiu de 6,8% para 6,6%. Mesmo em queda, o país ainda conta com 11 milhões de analfabetos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD)

Para conter o avanço do coronavírus, no dia 13 de março deste ano, as atividades escolares presenciais foram paralisadas em todo o país, e os alunos se viram obrigados a migrar para ambientes virtuais. Essa mudança tornou o ensino, incluindo o processo de alfabetização, um desafio ainda maior.

A educadora da rede de ensino municipal do Rio de Janeiro, Adriana Côrtes, que leciona há 30 anos, acredita que o principal desafio na alfabetização de crianças durante a  quarentena tem sido a manutenção do vínculo entre alunos, professores e escola. A professora também disse que, visando manter o processo educativo, a Prefeitura e as escolas estão enviando semanalmente atividades para os alunos por meio do Facebook e grupos de Whatsapp: “Parte significativa dos alunos estão acessando. O número de acessos do Facebook da escola cresceu muito”.

Não só as crianças tiveram o desenvolvimento da leitura e da escrita afetado pelo novo coronavírus. Muitos jovens e adultos, em alfabetização tardia, também foram submetidos a essa nova realidade, e ainda precisam conciliá-la com o trabalho: “Com a pandemia, muitos passaram a trabalhar em empregos  informais e, por conta disso, não conseguem conciliar trabalho e estudo. Assim, flexibilizamos o horário, em um momento tão difícil, não tinha como ser de outra forma”, diz a coordenadora pedagógica de educação de jovens e adultos de colégio particular na Zona Sul do Rio, Patrícia Fortuna. 

A pedagoga afirma que o processo de alfabetização é muito difícil na educação de jovens e adultos, mas que saber ler e escrever é muito importante: “Quem consegue ler e escrever tem poder nas mãos’’, conclui. Os alunos também contam que não saber ler é ser “cego no mundo”.

Em relação ao aprendizado online das crianças, a mãe Bárbara Calor compartilha sua experiência e preocupação com a filha de 7 anos, Alice, que está sendo alfabetizada. Ela afirma que a filha não precisa de auxílio durante as aulas online, mas apresenta dificuldade em se concentrar nas aulas gravadas enviadas pelos professores e ainda não sabe ler nem escrever.

Bárbara acredita que estar longe dos amigos afeta a auto-estima de Alice que, por não conseguir acompanhar pessoalmente o desenvolvimento de seus colegas, pensa ser a única de sua turma que ainda não aprendeu a ler. Na opinião da mãe o processo de alfabetização da menina foi prejudicado: “Eu não vejo nenhum problema em ter que refazer o ano letivo. Acho melhor ter que refazer do que não aprender, como é o caso dela hoje”.

Reportagem: Bruna Bittar, Gustavo Vieira, Isabel Fernanda Tavares, João Manoel Morais, João Pedro Abdo, Júlia Araujo, Júlia Pôssas, Mateus Rizzo, Paola Burlamaqui e Ricardo Ferro

Coordenação: Pedro Cardoso e Yan Lacerda

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