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O início do ano com a pandemia do coronavírus

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O Brasil vive atualmente uma das piores fases do novo coronavírus. De acordo com um boletim da Fundação Oswaldo Cruz, o Sistema Único de Saúde (SUS) sofre o momento mais crítico desde o início da pandemia. Com menos de 4% da população vacinada e mais de 250 mil mortos, o país ainda não vê perspectiva de melhora. Ainda assim, com um cenário indesejável, as festas de fim de ano e o carnaval, tão características do nosso povo, aconteceram em meio a denúncias de aglomerações mesmo com a proibição decretada pelo governo.

Os meses de Janeiro e Fevereiro são conhecidos pelo grande número de viagens, normalmente com destino às regiões litorâneas, consideradas planos de férias por muitos. Em 2021, apesar do contexto da pandemia, a situação não foi diferente. Turistas lotaram as cidades serranas e litorâneas, sem dar atenção às medidas de prevenção do coronavírus como a utilização das máscaras de proteção, o uso de álcool gel e, principalmente, a não realização de eventos que causem aglomerações.

A cidade de Cabo Frio é um dos lugares mais visados durante o verão no Rio de Janeiro, sendo um dos destinos mais procurados do estado. Moradora da cidade litorânea, Rachel Marquizelli, conta que, apesar da ausência de queima de fogos no Réveillon, as praias estavam lotadas.  Segundo ela, no carnaval também não foi diferente. “Muitos jovens aglomerados na orla da cidade, tendo que ser necessária até uma intervenção policial. Enfim, quando andamos pela cidade, parece já não haver mais COVID em Cabo Frio, visto que a maioria das pessoas nem usa a máscara ao sair de casa e andar nas ruas”.

Ana Clara Padilha, moradora da cidade turística de Balneário Camboriú, afirmou que durante as festas de fim de ano e feriado de carnaval as praias da cidade estavam lotadas, além da realização de festas clandestinas. “O que eu percebi é que foi como se não existisse covid, vida normal sob a terra. Muita gente nas praias, muitas festas clandestinas”, disse a catarinense. Ana Clara, como funcionária da saúde, ressaltou ainda que, pela primeira vez em um longo tempo, começou a ver “certa preocupação de uma parcela mínima da população, mas não o suficiente para mudar hábitos”. 

Diante deste cenário, a ex-secretária de saúde de Chapecó, Maristela Bisognin Santi, afirma que é dever do poder público evitar aglomerações, estabelecendo decretos e portarias com medidas restritivas. “A máscara é um acessório indispensável nesse momento, só que a gente ainda encontra muitas pessoas andando pela rua despreocupadamente como se nada tivesse acontecendo”, completou a ex-secretária. 

Segundo dados do consórcio formado pelo Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S.Paulo, a pandemia só vem aumentando nos meses de férias. Em relação ao período de novembro a dezembro do ano passado, a época dos meses de janeiro e fevereiro deste ano sofreu um aumento de 71% em relação ao número de mortes da COVID-19. Se a comparação for feita considerando especificamente o estado do Amazonas, o aumento é ainda mais representativo: 662% de piora.

A situação se torna ainda mais grave considerando a nova cepa do vírus circulando pelo país, que pode ter carga viral até 10 vezes maior. Ignorando os perigos da doença que já superou a marca de 250 mil vítimas no Brasil, são recorrentes os episódios de festas com centenas de pessoas, bares e praias lotados, o que contribui diretamente para o colapso do sistema de saúde, fazendo o país enfrentar uma terceira onda da pandemia.

Enquanto vários setores da sociedade já haviam retomado suas atividades, o de educação infantil continuou remotamente e foi um dos últimos a voltar a funcionar. Os colégios, com a proposta de aulas presenciais por meio de um rodízio entre os estudantes, buscam reintegrar as crianças ao ambiente tradicional de estudos e melhorar o seu rendimento. Porém, diferentemente do que acontece em contextos de festas, viagens e comemorações, os colégios estão tomando diversos cuidados, visando diminuir a chance de contaminação entre as crianças que retornam ao ensino presencial. 

Simone Torres, diretora de um colégio particular, acredita que as aulas já poderiam ter voltado desde o ano passado. “Tudo aqui na cidade já tinha voltado, mercados abertos, shoppings abertos, bares abertos, menos o setor da educação”, conta a diretora. Simone porém destaca os cuidados tomados pelo colégio. “A gente faz a medição da temperatura. Cada objeto que a criança utiliza a professora está ali com álcool gel em mãos, junto com toda a equipe’’, aponta Simone. 

 

Equipe: Beatriz Chagas, Fernanda Bichara, Guilherme Rezende, Gustavo Vieira, Isabela Garz, João Manoel Morais, João Pedro Camero, João Pedro Fonseca, Mateus Rizzo, Paola Burlamaqui e Pedro Ribeiro 

Supervisão: Bruna Barros e Pedro Cardoso

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