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Mulheres na Ciência

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Nos últimos anos, as cientistas vêm conquistando seu espaço cada vez mais. Entretanto, esse local ainda é bem inferior em relação ao preenchido por homens.De acordo com o estudo publicado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), as mulheres representam apenas 35% dos estudantes do mundo em áreas científicas. Elas são essenciais para o bom andamento das pesquisas e descobertas científicas. A vacina contra a Covid-19, por exemplo, teve a participação de nomes fundamentais como Katalin Karikó, que desenvolveu a tecnologia de RNA utilizada nas vacinas da Pfizer, e Daniela Ferreira, que coordenou um dos centros de pesquisa da vacina de Oxford, na Escola de Medicina Tropical de Liverpool. 

A pesquisadora em Saúde Pública na Fiocruz, Monique Trugilho, destaca que o ambiente da ciência não é acolhedor para mulheres, já tendo presenciado situações de machismo na área. Apesar de, atualmente, existirem algumas ações para diminuir esses casos, a pesquisadora acredita que elas não sejam suficientes. “O mais difícil é ouvir que isso tudo é normal e que na nossa carreira não há distinções entre homens e mulheres – claramente uma inverdade”, completou. Ainda explica sobre as dificuldades da dupla jornada sendo mãe e cientista, tendo que conciliar as atribuições familiares e domésticas. Ela desabafa que exerce suas funções na tentativa de não deixar transparecer a sobrecarga no acúmulo de suas tarefas.

A chefe substituta do Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática, do Instituto Oswaldo Cruz/FIOCRUZ, Ana Carolina Ramos Guimarães, tem o mesmo ponto de vista de Monique. Ela acredita que a visão de que mulheres não pertencerem à Ciência tem a ver com a imagem sustentada pela mídia ao sempre mostrar homens figurando na profissão. “Apesar de atualmente representar cerca de metade do total de cientistas no país, a profissão ainda é vista como masculina para grande parte da população.”, apontou.

Além disso, Ana Carolina acredita que o machismo seja um grande empecilho na carreira de mulheres que desejam atuar na Ciência. Outro fator, além do assédio e da desigualdade, é a falta de investimento em pesquisa, aumentando o abismo entre gêneros. “Ainda se espera que a mulher adote atitudes masculinas de competitividade para se tornar uma boa cientista, o que as leva a serem obrigadas a lidar com seus próprios medos e inseguranças.”, destacou. 

Ter mais mulheres atuando em campos conhecidos por serem majoritariamente masculinos é importante para servir de espelho às futuras gerações. Um exemplo disso é a estudante de biomedicina Mariana Cardial, de 18 anos. Ela diz que, em comparação com dez anos atrás, é ‘incrível’ ver uma biomédica como uma pessoa importante na criação da vacina contra o Coronavírus. “Acho que ver nossa situação atual foi como um empurrãozinho para que eu seguisse nisso [na área da Ciência], ainda mais vendo que, se em 2020 foi graças a um grupo de mulheres, imagina daqui a 10 ou 15 anos o tamanho de respeito que as cientistas vão ter”, pontuou.

Equipe: Arthur Vilela, Deborah Lopes, Letícia de Lucas, Luana Maia, Pedro Ribeiro e Vivian Valente.

Supervisão: Camila Hucs e Yan Lacerda

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