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Na última semana, os Estados Unidos ultrapassaram a China e a Itália e tornaram-se o novo epicentro mundial do coronavírus. O país já superou 200 mil casos de Covid-19, conforme divulgado nesta quarta-feira pela Universidade Johns Hopkins, que mantém a contagem de casos confirmados no país. O governo americano estima que a doença poderá matar entre 100 e 240 mil pessoas se as restrições atuais forem cumpridas. Um número muito menor em comparação com os 1,5 a 2,2 milhões de possíveis vítimas caso a quarentena não tivesse sido adotada. 

 

No estado de Indiana o lockdown foi decretado no dia 24 de março, e, de acordo com o Centro de Controle de Prevenção de Doenças americano (CDC), até ontem o número de infectados no estado totalizava  2.565, com 65 mortos. O entrevistado de hoje é o universitário brasileiro, Lucas Braga, morador do estado de Indiana, que nos conta um pouco sobre como está a situação por lá. 

 

Portal: Quando você se mudou para os Estados Unidos? 

 

Lucas: Me mudei para os EUA em 2016 para estudar engenharia, morei um ano em Kentucky e estou a um pouco mais que 3 anos morando em Fort Wayne, no estado de Indiana.

 

Portal: Você está preocupado com a questão do sistema de saúde americano?

 

Lucas: Não estou muito preocupado com a minha situação, pois estou fora do grupo de risco e sigo tomando as medidas recomendadas pelo governo. Entretanto, não acredito que o plano de saúde estudantil cubra os custos de possível internação ou tratamento da doença.

 

Portal: Como está a situação após o governo ter decretado lockdown? 

    Lucas: O estado entrou em lockdown no dia 24 de março, porém, antes disso a minha faculdade já tinha comunicado que todas as aulas seriam online até o final do semestre. Quando foi anunciado, todos os prédios da universidade foram fechados. Poucos dias antes do decreto, muitas pessoas da cidade já tinham ido aos mercados para estocar comida e outros produtos. Os Walmarts que são mercados conhecidos por estarem sempre abertos precisaram fechar às 18h para terem tempo de reabastecer. Todos os restaurantes estão fechados ou atendendo por delivery, sendo que muitos deles estão fazendo entrega de graça.

 

Portal: Como a quarentena afetou o seu cotidiano? 

 Lucas: Todas as aulas agora são online e minha formatura foi adiada a princípio para outubro. Além disso, tenho feito home office do trabalho do estágio. A prova para licença de engenheiro seria feita em maio, porém também foi cancelada. Fico preocupado se a pandemia vai atrasar ou até mesmo inviabilizar o processo pro meu visto de trabalho, mas o departamento da faculdade que lida com isso me disse que até agora o processo está normal.

 

Portal: Aonde você estava quando o surto de coronavírus começou? 

 Lucas:  Aqui o surto começou durante o spring break da minha faculdade, eu estava em um cruzeiro que saiu da Flórida e visitava outros 3 países. Durante essa semana fiquei com conexão a internet limitada, então não sabia bem o que estava acontecendo pelo mundo. No fim desse período, o governo dos EUA bloqueou qualquer voo vindo da Europa, então alguns amigos meus que viajaram para lá não conseguiram voltar, tendo que retornar para o Equador, onde suas famílias moram.

 

Portal: Foram tomadas medidas de precaução dentro do cruzeiro? As pessoas pareciam preocupadas? 

Lucas:  Antes do surto ter começado, o cruzeiro já tinha tomado medidas para conter uma possível transmissão do vírus. Todos os ambientes tinham pelo menos um funcionário para colocar álcool em gel na mão das pessoas. No meio da viagem, o cruzeiro trocou a política de self-service dos restaurantes, e os funcionários passaram a servir a comida. Todos seguiram as medidas obrigatórias e ninguém parecia  estar preocupado. Teve um momento que um passageiro vomitou no corredor e a equipe de limpeza interditou o local, entrando em seguida com roupas totalmente cobertas de plástico e máscaras.

 

Portal: Como está sendo passar por essa situação longe da família? 

Lucas: Todos os dias falo com minha família, eles parecem estar mais preocupados com a situação do Brasil, pois muitas pessoas não têm levado a sério, do que comigo. Me preocupo com eles também, mas felizmente estão todos bem e em casa.

Reportagem: Bruna Barros, Camila Hucs, Gabriela  Leonardi, Gustavo Vieira e Yan Lacerda.

Supervisão: Matheus Pardellas

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