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Dia da Mentira em tempo de coronavírus

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Dia dos Tolos, dos Bobos ou da Mentira, como é mais usado no Brasil, é assim que primeiro de abril é conhecido na maioria dos países do ocidente. A comemoração é marcada por boatos para enganar os outros, como uma forma de brincadeira. Não se sabe ao certo sua origem, assunto que é debatido entre historiadores, mas seu significado atualmente tem sido deixado de lado, devido as inúmeras mentiras que são compartilhadas regularmente, principalmente nas redes sociais.

O surgimento desse dia, segundo o historiador Jorwan Gama, as tradições como essas são inventadas e alteradas ao longo dos anos. “O que nós temos é uma lenda do Dia da Mentira que tem uma relação direta com uma mudança de calendário, do juliano, que foi usado na república romana, organizado por Júlio César, para o gregoriano, que é usado atualmente” acrescenta o professor.

De acordo com a lenda, a implementação do calendário gregoriano variou pelo mundo, devido às dificuldades de comunicação. “Os poderes régios que faziam com que os reis pudessem aplicar ou não, a seu tempo, aquele calendário”, afirma o historiador. Ele ainda conta que o caso mais conhecido foi o da França, porque até a notícia se espalhar pelo país ainda havia comemorações relacionadas ao calendário anterior.

Para a maioria dos internautas o dia da mentira poderia ser comemorado em mais de um dia no ano. Segundo uma pesquisa de 2019 do Centro para a Inovação em Governança Internacional 86% das pessoas” já acreditaram em pelo menos uma fake news nas redes sociais. Uma das formas que são usadas para enganar a população é contada em Fake News: Baseado em fatos reais, documentário produzido pela GloboNews, mostrando que criam sites parecidos com os de grandes veículos e para enganar pessoas de diversas partes do mundo. Para tentar frear o avanço das Fake News em suas plataformas, o Facebook fez parcerias com veículos do mundo todo, para verificar a veracidade de conteúdos publicados maciçamente nas redes sociais.  

No dia da mentira, não é raro ver algumas brincadeiras na televisão e na internet. Em 2011, o programa Globo Esporte exibiu, antes dos créditos finais, um vídeo comemorando um título que o Corinthians não tinha ganhado até então, o da Copa Libertadores da América. Já o Google anunciou uma ferramenta chamada Nose, em 2013, que transmitia cheiros, bastava o usuário se aproximar seu nariz da tela por alguns segundos. Porém, com a crescente da fake news e com a pandemia do coronavírus, algumas empresas decidiram suspender as pegadinhas neste ano, como o Google. Dessa vez, ao invés de tentar enganar os usuários, a ferramenta enviou um e-mail para seus funcionários pedindo para que não houvesse nenhum tipo de brincadeira neste dia. 

Momentos como o que vivemos hoje, de pandemia global, notícias falsas se tornam ainda mais perigosas. Foram espalhadas pelas redes sociais diversas informações equivocadas, tiradas de contexto ou simplesmente mentiras a respeito do coronavírus. Muitas delas defendendo que a situação não é tão grave quanto parece, e que está sendo feito um alarde desproporcional. Para ajudar a combater essa realidade, serviços de checagem produzem reportagens voltadas para desmentir esse tipo de notícia, principalmente sobre o Covid-19, como a Agência Lupa e o Fato ou Fake, do Grupo Globo.

Serviços como esses são cruciais nos dias atuais, mas também há outras formas para encontrar a informações verdadeiras. Para a jornalista Adriana Barsotti, além dos veículos tradicionais, as mídias independentes, como Agência Lupa, Aos fatos, Agência Pública e Projeto Colabora, têm se consolidado e levado informação de qualidade para a população, mesmo que muitas vezes em nichos específicos de atuação. “Veículos não faltam, o que falta é a disposição do usuário de largar um pouco as redes sociais e se voltar para as informações com mais credibilidade. O mais importante é sempre duvidar da fonte”, disse a jornalista.

 

Reportagem: Bruna Barros, Carolina Mie, Felipe Rinaldi, Felipe Roza, João Medina e Pedro Cardoso

Supervisão: Mariana Colpas e Patrick Garrido

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