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Crescimento das mídias independentes no futebol

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Com o isolamento social imposto pela pandemia, o torcedor, apesar de afastado fisicamente do futebol e de seus respectivos clubes, encontrou uma maneira de se sentir próximo dessa paixão. Devido a facilidade que a internet e as redes sociais geraram para a produção de conteúdo, muitos jornalistas, torcedores e entusiastas criaram canais independentes para falar do time do coração.

Para André Calippo, criador do canal “Almanaque Botafoguense”, o isolamento social permitiu a realização de um sonho. “A questão da pandemia e ficar impossibilitado de sair de casa ajudou. Sempre quis ter um projeto de falar, trabalhar com o Botafogo e o futebol”. Após cerca de um ano e meio de canal, o carioca já conta com quase 9 mil inscritos.

Segundo a pesquisa “Why Video”, encomendada pelo Google, 91% das pessoas aumentaram o tempo gasto no Youtube em 2020. A plataforma passou a ser a preferida dos brasileiros, sendo acessada por 105 milhões de pessoas por mês no país. Essa rede social também impulsionou a criação de canais esportivos independentes, que cada vez mais têm espaço na rotina dos torcedores.

Atualmente, cada time de futebol tem o seu próprio nicho de criadores de conteúdo, sendo o público majoritariamente composto por torcedores de determinada equipe. Essa forma de cobertura combina a transmissão de informações com um tom mais opinativo e funciona como um veículo inteiramente dedicado ao clube de coração. Canais como o “Flazoeiro” (1,6M inscritos), “Cruzeiro Sports” (255 mil inscritos) e “Por Ti Corinthians” (138 mil inscritos), são alguns dos maiores influentes do Brasil.

Por estarem diretamente conectados com seus respectivos clubes de futebol, o sucesso dessas mídias sociais depende muito do bom desempenho dentro de campo. Criador do canal “Muito Botafogo”, Fabiano Bandeira conta como o resultado da partida influencia no seu trabalho: “Eu percebi que a torcida sempre quer ver o time ganhando. Quando o time ganha é muito mais fácil e o engajamento é melhor.” 

A explosão do consumo desse tipo de conteúdo se deu por diversos motivos. As três causas principais para o crescimento dessa forma de comunicação foram listadas por Bruno Cabral, espectador assíduo das mídias independentes. Para ele, a falta de espaço na imprensa tradicional, a superficialidade dos debates esportivos nos grandes meios de comunicação e a identificação como torcedor com os criadores de conteúdo são determinantes para esse aumento.

Como apontado, os canais desses torcedores tiveram um crescimento durante o surto da covid-19. Porém, com o avanço da vacinação e consequentemente queda no número de mortes e casos, a volta da “normalidade” está cada vez mais perceptível. André Calippo afirma que o leque de produção de vídeos e conteúdos vai aumentar mesmo com o fim da pandemia do Coronavírus.

É notório o papel de transformação muito importante no cenário de veículos esportivos. Renomados jornalistas têm se lançado no mundo da produção de conteúdo independente. Para isso, muitos passaram a adotar uma postura de “torcedor” e levaram o seu público conquistado durante a carreira a essa nova empreitada. Mauro Cezar Pereira, Fabiano Baldasso, Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi, são alguns dos nomes que se inseriram de vez no cenário das mídias independentes.

Reportagem: Guilherme Dias | Henrique Fontes | Lucas Moll

Supervisão: Gabriela Leonardi

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