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Coro do Theatro Municipal

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O coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, um dos mais prestigiados no Brasil, enfrenta uma crise nos últimos anos, que piorou com a pandemia. Diante das dificuldades, os cantores continuam demonstrando orgulho de compor o grupo, que chegou a ser eleito um dos melhores do mundo pela revista “Opera News” entre 1978 e 1982, quando estava sob regência do célebre maestro argentino Andrés Maspero. Apaixonados pela música, os cantores buscam formas de, mesmo em tempos de isolamento, fazer o público se emocionar com suas vozes.

“O objetivo de todos esses profissionais é de levar a arte para o público, quando eles saem do espetáculo, eles tem que ter uma sensação de que aquele espetáculo agregou algo para vida deles completamente diferente até então.” é assim que Jésus Figueiredo, maestro do coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, relata o que os artistas esperam transmitir para o público. O maestro começou cedo na carreira de músico, aos 7 anos já estava aprendendo a tocar violão e piano, depois da faculdade de música iniciou no Theatro como cantor, aos 25 se tornou maestro assistente e hoje é maestro do Municipal.

Jésus conta como eram as preparações para os espetáculos, ele relata que o único  material artístico que apresentam é a própria voz, então eles têm que entregar o máximo da qualidade dela, isso com constantes ensaios e muito preparo. Em relação ao cronograma, ele conta que em uma ópera tem que preparar a parte coral e os cantores têm que aprender a interpretar e atuar o texto, além de decorar. Isso tudo, eles fazem reunidos em diversos ensaios para entrar em harmonia vocal para o palco, mas com a pandemia fica mais complicado. “A gente trabalha com o ponto que a pandemia mais atingiu: a aglomeração”. O maestro ainda relata que o público e a preparação do Coro, do Ballet e da Orquestra são aglomerações e, no final, ainda reúne todos para os espetáculos.

Com isso, a pandemia tem tornado a vida de muitas pessoas mais difícil e interferiu em diversas áreas. No caso do Theatro Municipal, houve uma transição drástica de ambientes lotados, cheio de empolgação e uma cinelândia movimentada, para um lugar vazio, ensaios online e a perda da emoção de assistir aos espetáculos. Com esse momento, os cantores tiveram que se adequar aos treinos em casa, produzir lives e criar uma rotina pessoal.

Os ensaios e as práticas têm sido realizadas através da plataforma Soundtrap e, além disso, o grupo grava áudios e vídeos para serem publicados no Youtube. Lily Driaze, contralto do Coro, relata que a adaptação para o formato virtual foi bem difícil no começo devido à inexperiência com a tecnologia. Ela conta também que mesmo em casa é necessário o exercício da voz diariamente por, pelo menos, 1 hora para trabalhar a musculatura interna das cordas vocais. Para Lily, não há esperanças diante do momento atual: “Está muito difícil a volta, não tenho expectativas para esse ano”. A cantora afirma que apenas a partir do ano que vem, com a implementação do modelo híbrido e de forma gradual, que os ensaios devem voltar.

Com relação a uma possível volta das atividades presenciais, a estrutura do Theatro pode limitar os ensaios. Pedro Olivero, presidente da Associação de Canto Coral (ACC), afirma que cientistas da Fiocruz estiveram no local e avaliaram que três salas – sendo uma do coro – seriam focos de alto contágio. “A gente estuda em casa, tem que se virar em casa. Eu tenho ido ao teatro de vez em quando, agora só a parte administrativa que tem ido“, disse. Ele ainda cita a dificuldade da Associação em tempos de crise, seja apenas econômica ou  geral, como a atual, proporcionada pela pandemia da Covid-19:  “Para a Associação sobreviver durante essas crises, os colegas também são contribuintes e a gente tem que mantê-la na mídia. Inclusive a gente tem projetos para a Lei Rouanet, porque a gente é uma entidade cultural sem fins lucrativos“, completou. 

Dessa forma, as atividades prosseguem, mesmo em meio às dificuldades variadas. Neste momento, além das lives, ele conta que a presença da Associação nas redes sociais é algo muito importante, estando no Facebook, Youtube e Instagram. Com essas ações, Pedro Olivero demonstra um zelo muito grande com o Theatro Municipal, fazendo parte do coro de forma definitiva desde 2002, após deixar a carreira na comunicação para se dedicar à música, sua grande paixão desde cedo, quando ainda residia em sua terra natal, a cidade de Caiçara, no estado da Paraíba. “Nos anos 80, eu já fazia reforço para o coro e como eu era funcionário da secretaria de saúde do Estado, fui cedido apenas em 1992. Fiquei lá esperando o concurso público, em 2002, quando fui efetivado e pedi exoneração da secretaria”, contou.

Em meio a pandemia, o Theatro Municipal segue contribuindo para a sociedade, além das lives dentro de casa para estimular a cultura, agora estão promovendo vacinação dentro da instituição para incentivar a saúde. No dia 27 de maio foi inaugurado o posto de vacinação do teatro, enquanto as pessoas se imunizaram contra covid, tiveram direito a apreciar músicos da Ação Social pela Música tocando durante a campanha.

 

Reportagem: Amanda Domicioli | Brenda Barros | Gabriel Mota | Gianluca Barbazza

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