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As barreiras do enem 2020

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O Ministério da Educação anunciou, nesta quarta-feira (30), o adiamento do ENEM deste ano por 30 a 60 dias. A prova estava prevista para acontecer entre os dias 1 e 8 de novembro na versão impressa, e entre 22 e 29 de novembro na versão digital. Nas últimas semanas, diversos estudantes e professores vinham criticando, nas redes sociais, o mantimento do calendário em meio a pandemia do novo coronavírus. 

Segundo o ministro Abraham Weintraub, que se posicionou de forma contrária ao adiamento desde o começo da pandemia, será feita uma enquete para decidir a nova data do exame. Esta que está prevista para a última semana de junho, e deverá ser acessada pela página do participante com a utilização da senha de inscrição. Apesar da prorrogação, colégios e alunos continuam na busca por meios de adaptação na preparação para o ENEM.

Um dos exemplos de instituições que tiveram que se adaptar com o cancelamento das aulas presenciais é a Escola Municipal Ciep Dr. João Ramos de Souza, localizada na Ilha do Governador. Douglas Fagundes Murta, de 41 anos, passou mais de metade da sua vida lecionando. Já foi coordenador pedagógico de grandes colégios particulares mas atualmente é diretor dessa unidade pública de ensino no município do Rio. Ele comentou sobre como professores e alunos estão lidando com essa nova rotina de aulas.

Apesar do sistema a distância ter sido adotado com o intuito de manter o ensino, há estudantes que não têm condições financeiras para acessá-lo. Segundo uma pesquisa divulgada, no dia 20 de abril,  pelo IBGE, cerca de um terço da população brasileira, ainda não possui acesso à internet. Isso dificulta ainda mais a rotina de estudos de quem não tem tais privilégios, pois reforça a desigualdade educacional e a precariedade da rede pública de ensino. Yan Marra, de 17 anos, estuda no Colégio Estadual Vicente Jannuzzi, e relatou como a quarentena tem afetado sua preparação para ENEM.

 A estudante Maria Eduarda Ribeiro, de 17 anos, também está cursando o 3º ano do Ensino Médio, porém em uma instituição privada, na Taquara. Apesar da rede do Colégio Elite ter uma grande infraestrutura, Maria também sentiu o impacto da pandemia em seu planejamento de estudos.

O vestibulando Guido Robbs, de 20 anos, fará o ENEM pela 3ª vez, com o objetivo de entrar em uma faculdade pública de medicina. Atualmente, ele estuda em um Pré-vestibular, na cidade de Niterói, e comenta que seu curso mudou rapidamente em função das medidas de isolamento social: “Se adaptaram já na primeira semana e adotaram a plataforma Zoom com aulas ao vivo.”

 Guido conta que não sentiu tanta perda em seu ritmo de estudo, pois o cronograma do curso continuou como previsto, com a realização de simulados e plantões para tirar dúvidas online. Por conta disso, ele afirma que se sente privilegiado em relação à quem não tem acesso a tais recursos. “Eu sou a favor do adiamento do ENEM, a fim de minimizar as desigualdades gritantes que os estudantes possuem em suas preparações.”  

 

 

Reportagem: Bruna Barros, Camila Hucs, Francisco da Silveira, Gabriela Leonardi, João Pedro Camero e Yan Lacerda.

Supervisão: Matheus Pardellas.

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