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Crítica de “Elize: Sombras de Uma Mulher” (2026)

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O filme “Elize: Sombras de Uma Mulher”, lançado pela Netflix em 22 de julho e dirigido por Felipe Vellas, parte de um dos crimes mais chocantes do país para construir um suspense psicológico. A história gira em torno do desgaste do casamento de Elize e Marcos Matsunaga, que termina com o assassinato dele.

O principal objetivo da produção é apresentar o caso pela perspectiva de Elize, interpretada por Lorena Comparato. Em vez de se concentrar apenas no crime cometido por ela em 2012, o filme mostra o que ocorreu antes da tragédia e a relação do casal ao longo dos anos. 

A narrativa apresenta Marcos como um homem agressivo, infiel e manipulador e, ao mesmo tempo, explora a infância de Elize, a relação dela com o padrasto, o período em que trabalhou como prostituta, as dificuldades para engravidar e a chegada da filha.

Embora seja uma obra fictícia, parte dos acontecimentos e diálogos apresentados tem como base relatos reais dela, incluindo informações do documentário “Elize Matsunaga: era uma vez um crime”, de 2021.

Ao colocar Elize no centro da narrativa, o longa busca apresentar suas nuances de personalidade. Os traumas, as dificuldades e os sentimentos são explorados para que o público compreenda quais acontecimentos contribuíram para o relacionamento ter terminado da forma como terminou.

A atuação de Comparato transmite diferentes estágios emocionais. Raiva, tristeza, insegurança e frustração aparecem de maneira convincente, principalmente nas cenas relacionadas às traições e à gravidez. 

Henrique Kimura, responsável por interpretar Marcos Matsunaga, também entrega uma atuação marcante. Por meio da construção do personagem, percebemos alguém arrogante e controlador, o que, em vários momentos, deixa o público com um gosto amargo na boca. 

A trilha sonora merece destaque, principalmente pela escolha de Love on the Brain, da cantora Rihanna. A música, marcada por letras que falam de paixão, sofrimento e dependência emocional, dialoga com a relação abusiva de Elize e Marcos. 

Apesar dos acertos, a maior crítica que fica após assistir à produção é a sensação de que tudo acontece rápido demais. A história possui elementos suficientes para a produção de uma minissérie. Os fatos poderiam ter sido explorados com mais profundidade. 

Além disso, posteriormente ao crime, em 2012, o G1 e a TV Globo noticiaram uma suposta ligação de Elize para a polícia, na qual ela alega ter sido ameaçada pelo marido e pergunta sobre a possibilidade de troca da fechadura da residência. O filme não explora esse acontecimento, o que poderia ter acrescentado uma nova camada à trama.

Para quem gosta de produções sobre crimes reais e quer acessar uma versão diferente de um caso que marcou o país, o filme pode ser uma boa escolha. No entanto, mesmo bem executado em aspectos como direção e atuações, recomendamos assistir sem grandes expectativas. 

Crítica: Duda Toqueto
Supervisão: Renata Fontanetto e Guilherme Freitas
Crédito da foto: Ana Pazian/Netflix© 2026