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Cine Resenha: Por que meu cabelo não é liso?

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No dia 25 de julho, é comemorado o Dia da Mulher Negra e Latina e Caribenha internacionalmente. Já no Brasil, essa data é reconhecida como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à uma das principais mulheres, símbolo de resistência e luta contra a escravidão no século XVIII.  O objetivo dessa data é trazer maior visibilidade para as organizações voltadas à mulheres negras e pressionar o poder público a se posicionar diante do preconceito enraizado na sociedade brasileira. 

 

Um dos diversos problemas enfrentados por mulheres negras é a opressão ao cabelo natural. O curta-metragem, “Por que meu cabelo não é liso”, dirigido e roteirizado por Carol Rodrigues, retrata como a imposição e a manutenção do padrão de beleza interferem na vida de pessoas com cabelos crespos, cacheados e black. A partir de depoimentos reais e partes ficcionais, o documentário brasileiro mostra a relação dessas pessoas com o cabelo e como a “ditadura do cabelo liso” pode influenciar na autoestima desde a infância. 

 

“Eu lembro que quando eu era pequena eu sempre queria fazer amizade com as meninas de cabelo liso (…) eu queria aquilo, achava lindo. Me lembro também de gostar de fazer amizade só pra pentear o cabelo delas”. – Renata Batista, artista do afro funk 

 

Desde cedo, a sociedade impõe um padrão de beleza, e as crianças, muitas vezes sem referências, acabam não se identificando com seus próprios cabelos ou recebem comentários maldosos e preconceituosos que as fazem querer alisá-los para serem aceitas. Em uma das entrevistas do documentário, a produtora musical Caroline Costa contou que teve dificuldade de ter um cabelo fora do ideal da época. “Eu passei a minha adolescência e infância de alguma forma tentando enquadrá-lo ao que era padrão”.

 

A perda da identidade e a opressão que afeta as pessoas também é retratada no curta. A recepcionista Caroline de Paula explica que para conseguir uma oportunidade de trabalho, teve que alisar seu cabelo naturalmente cacheado, que era considerado por ela “sua marca”. Infelizmente, quem possui um cabelo cacheado ou crespo acaba se sujeitando à ataques no ambiente de trabalho e fora dele, o que gera um sentimento de insegurança. 

 

Além disso, pessoas negras sofrem o dobro ao serem discriminadas não só pelo cabelo, como também pela cor de sua pele. A empresária Maria Chantal reforça “Tem muitas meninas que são obrigadas a alisar o cabelo ou a pedir demissão. Não é tão fácil denunciar (…) às vezes é mais fácil você alisar o cabelo do que processar, porque você está ali por necessidade, porque precisa do dinheiro”.

 

Caroline Meirelles assistiu o curta e disse que se sentiu impactada, uma vez que lembrou de sua infância. “Na época da escola, eu queria muito ter o cabelo liso, a minha mãe não me deixou alisar o cabelo, mas ela passava química nele, então tive problemas seríssimos de autoestima por causa disso”. Além disso, o documentário conta com pessoas negras também na sua produção, o que gera representatividade dentro e fora das câmeras. “Ela é importante porque o cinema, além de ser uma arte de entretenimento e informação é um espelho contextual do que a gente está vivendo, do que se passa no nosso país”.

 

O documentário está disponível na Libreflix – uma plataforma de streaming gratuita que oferece acesso a produções audiovisuais com licenças de distribuição permissivas. Este serviço é importante para estimular a criação de filmes e documentários independentes, além de proporcionar outros projetos nacionais.  

Por: Bruna Barros, Camila Hucs, Eloah Almeida e Gabriela Leonardi

Supervisão: Maria Luísa Martins e Patrick Garrido

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