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Sônia Bridi: “O jornalista que não está falando de clima não está fazendo jornalismo”

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A repórter esteve na ESPM-Rio durante o seminário “Jornalismo e Clima”, do portal ((o))eco. Veja como foi o evento. 

 

O jornalismo climático não é mais uma opção; é uma obrigação de todo jornalista em qualquer editoria, segundo Sônia Bridi, repórter especial da TV Globo. Ela participou de um bate-papo na segunda-feira (01/06) durante o seminário Jornalismo e Clima, realizado pelo portal ((o))eco na ESPM-Rio. A conversa foi mediada por Mateus Fernandes, do InfoPerifa, e integrou a programação oficial da Rio Nature & Climate Week, que acontece entre 1 e 6 de junho.

“Não podemos abandonar as nossas trincheiras”, disse a jornalista, comentando o quanto a cobertura ambiental e climática não pode ser esquecida pelos noticiários, principalmente depois de o Brasil ter sediado a COP 30 – a maior conferência climática do mundo – em novembro de 2025. 

O que está em jogo, em suas palavras, é a sobrevivência da humanidade: “Não é uma questão de fazer prevalecer a minha ideia ou a de outra pessoa. São fatos. O mundo está aquecendo. Estamos debatendo a nossa capacidade de continuar habitando este planeta”.

Segundo ela, as políticas públicas têm um papel fundamental ao garantir os meios necessários para a redução ou interrupção do uso de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão mineral). Para isso, a população precisa eleger governantes que pautem o clima em suas agendas políticas. “Temos algo sério a resolver em outubro: nossos candidatos para o Congresso Nacional. O legislativo está desmontando o licenciamento ambiental”, opinou.

O gargalo para o engajamento

Além de Bridi, as mesas do seminário reuniram outros jornalistas, estudantes, comunicadores e lideranças comunitárias que abordaram como as mudanças climáticas vêm atravessando o cotidiano das cidades e a vida de milhares de pessoas. Jornalismo popular, jornalismo de dados, o futuro do clima e outros assuntos estiveram na pauta do dia.

A repórter Duda Menegassi, do portal ((o))eco, foi outro destaque da programação na parte da manhã. “O gargalo sempre acaba sendo a educação. Tendo acesso à educação ambiental, você gera interesse e um possível engajamento da população”, afirmou Menegassi. 

A percepção da repórter dialoga com a defesa feita por Bridi de que o jornalista deve pautar constantemente a crise do clima. “O papel do jornalista é exatamente o mesmo em qualquer lugar: identificar os assuntos que são relevantes e trazer isso para o conhecimento público. Não há nenhum assunto tão relevante agora quanto a crise climática”, acrescentou. 

Foto: Kaylane Pedroso

Na visão de Mateus Fernandes, que mediou a entrevista com Sônia Bridi, o que está acontecendo com o clima do planeta precisa ser visto como uma crise humanitária, já que milhares de pessoas são afetadas por ano devido a eventos extremos ou podem ser remanejadas de suas casas devido a riscos futuros.

A programação contou ainda com a palestra “O que os dados não contam”, trazendo convidados como Maria Ribeiro (data_labe), Luiz Ribeiro (Instituto Bxd), Luize Sampaio (Casa Fluminense) e Bruno Araújo (brunopeloclima). À tarde, o evento abordou o futuro climático e as narrativas que estão em jogo. A mesa contou com a presença de Andréia Coutinho (Centro Brasileiro de Justiça Climática), Ray Baniwa (Instituto da Hora) e Pedro Mota (Instituto Cojovem). A programação encerrou com uma exibição do documentário “Como sobreviver”, de Fabrícia Sterce, que também participou dessa última mesa.

Confira a entrevista completa de Sônia Bridi ao Portal clicando aqui.

Reportagem: Adercino Orçay, Júlia Luparelli, Maria Eduarda Torres e Mirella Casanova

Supervisão: Renata Fontanetto, Vinicius Carvalho e Pollyanna Brêtas