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Política

Debate na ESPM-Rio analisa o imprevisível xadrez político brasileiro 

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Reportagem: Kaylane Pedroso e Letícia Capela 

 

A política é uma engrenagem incerta, onde o cenário pode ser redefinido completamente a qualquer minuto. Especialmente em anos eleitorais, a realidade se torna cada vez mais imprevisível, fazendo com que os resultados das pesquisas eleitorais mudem todos os dias. Foi exatamente essa atmosfera de imprevisibilidade que pautou o debate mediado pelo estudante de Jornalismo Lucas Luciano, da ESPM-Rio, com a jornalista Bruna Lima, correspondente de Brasília pelo Metrópoles, Yasmim Restum, apresentadora do noticioso “No Pé do Ouvido”, do canal Meio, e a cientista política Lidiane Vieira, doutora pelo IESP-UERJ. 

Horas antes do início do debate, o The Intercept Brasil revelou a troca de mensagens entre o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente e investigado por liderar uma organização criminosa, fraude financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e intimidação. Nas mensagens, Flávio negociava com o dono do banco Master cerca de R$ 134 milhões supostamente para financiar o filme Dark Horse, que vai contar a história de Jair Bolsonaro. 

Para Bruna Lima, o clima em Brasília é de divisão: luto de um lado, festa do outro: “Eu diria que o clima é de enterro para um lado e de muita festa, para o outro. Eu não vejo eles (políticos) largando a mão do Flávio. Porque quando você larga a mão assim, o crime é imputado para a família toda, é por sobrenome. O estrago já está feito”, ressalta ela que se mostrou cética sobre a substituição da candidatura do filho 01. “Se for Michelle, se for Flávio, se for Eduardo, é o nome Bolsonaro que já está ligado ao escândalo”, avalia Bruna.

Polarização: uma espécie em mutação

A polarização ganhou novos contornos na política brasileira nas últimas décadas no Brasil. O país, acostumado com a rivalidade entre PT e PSDB, viu o Fla-Flu do petismo e antipetismo evoluir para um antagonismo de ordem identitária. A cientista política Lidiane Vieira explica que a polarização de antes era institucional e agora é mais identitária. “A população expressava a opinião pública por meio dos partidos, e era assim que a rivalidade era expressada. Agora com a internet, o candidato se torna quase um influenciador, sendo movido pelo engajamento das redes sociais. É o ódio que está mobilizando as pessoas a se posicionarem, a reagirem, a votarem ou a não votarem. Esses sentimentos estão controlando o funcionamento político”, explica Lidiane. 

Jornalismo fundamental na era da desinformação

Com a aproximação da primeira eleição na era marcada pela Inteligência Artificial generativa, o jornalismo é peça fundamental na garantia dos processos democráticos. A avaliação é da jornalista Yasmim Restum: “A tecnologia está sempre um passo à frente, o que  torna essencial o quão rápido a gente consegue  chegar e checar  uma notícia antes dela se espraiar. Talvez seja o maior desafio, fazer checagem em tempo real e impedir o pior”. Para Restum, a informação deve ser passada de forma didática e casual, assim alcançando todos os públicos.

Para Bruna Lima, essas novas tecnologias estão mudando completamente a forma como as pessoas consomem política. “Ninguém mais quer debater e falar de política de verdade. O que importa é você fazer um discurso fácil na internet para ganhar curtidas e visualizações, tudo para ficar conhecido, para viralizar”, reflete Lima.  

A vida severina do presidencialismo de coalizão


O esforço do Legislativo em barrar Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), rejeição inédita em 132 anos, ilustra as tensões do presidencialismo de coalizão brasileiro: “A individualização do sistema partidário atual fragmentou o nosso Legislativo. Muitos grupos não estão consolidados e capazes de disputar o poder e articular essas coalizões.”, afirma Lidiane. 

Plateia reunida com as palestrantes. Foto: MIguel Andrade


Supervisão: Pollyanna Brêtas
Foto de Capa: Pollyanna Brêtas