“Desde que pensei em fazer jornalismo, o que eu sempre ouvia é que o jornalismo ia morrer. A verdade é que o jornalismo nunca vai morrer. O jornalismo sempre vai se reinventar, e nós vamos nos reinventar com ele nas suas mais diferentes formas.”
A afirmação da jornalista Dandara Franco, ex-aluna da ESPM, foi uma das reflexões da mesa-redonda “Do diploma ao mercado: os desafios da inserção e os diferentes caminhos da carreira jornalística”, realizada durante a Semana do Jornalismo da ESPM-Rio. Ao lado dos jornalistas Leonardo Marchetti e Paola Burlamaqui, ambos também formados pela instituição, a conversa reuniu três profissionais que seguiram caminhos distintos dentro da mesma área de atuação para discutir os desafios da entrada no mercado de trabalho e as transformações da carreira jornalística.
Um dos temas que mais mobilizou o debate foi a expectativa em torno do primeiro estágio. Entre os estudantes, é comum o desejo de iniciar a graduação tendo uma área ideal de atuação. Os convidados, porém, defenderam que a primeira oportunidade nem sempre surge como aquilo que se planejava inicialmente. A repórter e social media do AdoroCinema, Paola Burlamaqui, ressaltou que o estágio deve ser entendido, antes de tudo, como um espaço de formação. “Não recusem todas as portas que se abrirão a vocês por não serem aquelas idealizadas. As pessoas chegam ao estágio sem saber de tudo e ali é o espaço para aprender”, afirmou.
A ideia foi reforçada por Franco, assessora de conteúdo na ARTIGO 19. Para ela, construir uma carreira sólida no jornalismo exige conhecimento acerca do tipo de profissional que se deseja ser e avaliar quais experiências realmente contribuem para esse percurso. “É preciso entender quem se é como profissional hoje em dia e quem desejamos ser”, comentou.

Leonardo Marchetti, Paola Burlamaqui e Dandara Franco na Mesa dos Ex-alunos. Foto: Kaylane Pedroso.
Uma das mudanças nas redações, também debatida no encontro, foi sobre a necessidade de produzir conteúdo para diferentes plataformas e acompanhar o ritmo acelerado das redes sociais. Nesse sentido, um ponto de concordância entre os convidados foi que a tecnologia pode otimizar tarefas e auxiliar processos de produção, especialmente a inteligência artificial, mas não substitui a apuração – uma das ferramentas essenciais para reforçar a credibilidade de uma produção jornalística.
Franco alertou que a responsabilidade de informar continua sendo exclusivamente do jornalista: “Todo bom profissional verifica uma informação mais de uma vez. Não podemos confiar o nosso trabalho a uma inteligência artificial. O nosso nome é o que mais temos de importante na vida”. No mesmo debate, Burlamaqui reforçou que a necessidade de entregar os conteúdos não pode significar abrir mão da checagem dos fatos.
Leonardo Marchetti, repórter de Internacional de O Globo, apontou na mesa que é necessária a defesa de uma identidade própria ao longo da carreira. “A maior identidade do jornalista é a assinatura. As pessoas te reconhecem por essa assinatura”, afirmou. O repórter ainda reforçou essa ideia apontando que o jornalista não pode se acomodar: é necessário persistir na apuração durante qualquer processo, independentemente da área em que se atua.
As trajetórias de Marchetti, Franco e Burlamaqui mostraram que a mesma formação pode levar a caminhos profissionais bastante diferentes. A carreira jornalística, em suas reflexões finais, é construída pela qualidade da apuração e pela identidade que cada profissional desenvolve ao longo do tempo.
Reportagem: Bento Faria e Júlia Luparelli
Supervisão: Renata Fontanetto