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Corrida às bancas após eleição transforma jornal impresso em lembrança histórica

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Por: Kaylane Pedroso e Letícia Capela

“A banca abre às seis horas da manhã. Eram nove horas e todos os nossos jornais já tinham sido vendidos”, conta Nathanael Lannis, de 28 anos, atendente de um dos principais pontos de venda próximo à estação Carioca do metrô, no Centro do Rio de Janeiro. Nesta região da cidade e na área da Glória, na Zona Sul, a reportagem percorreu pelo menos 20 bancas, em um raio de cerca de 3 km, e o cenário era semelhante, na manhã da última segunda-feira (26): leitores ávidos por uma recordação do dia histórico e jornais esgotados.

O aumento da procura por exemplares ocorreu após o domingo da eleição do segundo turno presidencial, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para o seu quarto mandato. A vitória histórica foi estampada na capa e nas manchetes dos jornais impressos do país e transformou um produto que nos últimos anos tem perdido espaço nos lares brasileiros em artigo de luxo.

A banca do jornaleiro José Pegrisano, 73 anos, recebe aproximadamente 60 exemplares de cada veículo, em dias úteis. Segundo ele, os jornais não chegam nem perto de esgotar, às vezes as pilhas de papéis se acumulam e chegam a ser vendidas como tapete de pet. Nesta segunda, dia seguinte do pleito, em apenas três horas todas as unidades dos periódicos já estavam esgotadas e os compradores continuavam chegando em busca de um impresso para chamar de seu.

Virada eleitoral inédita nas manchetes atraiu compradores

“Lula é reeleito pela 4ª vez com mobilização e virada histórica” foi a manchete do jornal O Globo. O petista obteve 51,80% dos votos válidos, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que somou 48,20%, em uma virada inédita e levou os brasileiros de volta às bancas de jornal logo cedo. O popular Extra seguiu o tom histórico ao estampar “Vira, virou o Lula ganhou!”. Já a Folha de S.Paulo destacou a dimensão política do resultado com a manchete “Lula vira e será presidente pela 4ª vez”. 

No primeiro turno de 2026, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou em primeiro lugar, enquanto Lula ficou em segundo, com uma diferença de 1,87 ponto porcentual. A virada das urnas foi impulsionada por uma intensa mobilização popular que ganhou as ruas em menos de 24 horas após o primeiro turno. O ato de estudantes em Niterói, na Região Metropolitana, serviu como estopim para uma onda de mobilizações estudantis e de movimentos sociais pelas capitais e redes sociais, revertendo o cenário político que vislumbrava uma vitória da oposição, especialmente após uma vitória expressiva do campo da direita nas eleições para o Senado, Câmara dos Deputados e nos governos estaduais.  

 

Capa dos jornais O GLOBO e Folha de São Paulo do dia 26/10

Movimento pegou bancas de surpresa

Embora estivesse esperando um crescimento nas vendas, o jornaleiro Bruno Martins, 43 anos, conta que o movimento nas primeiras horas do dia o surpreendeu. “O jornal físico caiu em desuso. As pessoas compram quando querem realmente guardar alguma informação fisicamente. É igual quando um time é campeão”, afirma ele.

Nathanael Lannis, que trabalha diariamente num ponto de venda, conta ter passado grande parte do dia dizendo “Não tem” para os clientes que buscavam qualquer jornal do dia. “Hoje foi um caso à parte, isso me surpreendeu bastante. O Lula ganhou de virada, fiquei arrependido de não ter guardado um exemplar (para mim)”, revela.

De acordo com os donos das bancas, apesar da expectativa de aumento das vendas após uma eleição muito acirrada, as gráficas não elevaram o número de jornais distribuídos. No final do dia, os comerciantes comemoram não somente o bom resultado do dia no comércio, mas especialmente a renovação da democracia brasileira. 

Supervisão: Pollyanna Brêtas

Banca de jornal na Carioca, centro do Rio de Janeiro. Foto: Kaylane Pedroso

Foto de capa: Kaylane Pedroso