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Educação Rio de Janeiro

ESPM sem fronteiras: do outro lado do mundo até o intercâmbio no Rio

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O intercâmbio acadêmico é uma experiência única que habilita alunos de uma faculdade a estudar em outra.  Esta coluna, “ESPM sem fronteiras”, irá tratar da experiência de alunos intercambistas na Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM Rio). É uma forma de dar voz aos estudantes estrangeiros e compartilhar experiências com outros alunos.  O meu nome é Lunna Souza, e eu cheguei à ESPM há dois meses. Sou meio portuguesa e meio brasileira, e fui criada em Portugal, mais especificamente em Lisboa. Saí de lá depois do ensino médio para fazer uma dupla licenciatura em Madrid, na Espanha. Até então, o Brasil tinha sido sempre um lugar de visita a partir de reencontros com a família e amigos em viagens rápidas. Este ano, resolvi que queria mudar isso e escolhi o Rio de Janeiro para construir a minha própria rotina e não apenas para passar por aqui apressadamente. 

Neste primeiro artigo, converso com outros intercambistas da ESPM para entender como eles chegaram aqui, quais são suas impressões e se passaram por algum choque cultural. Três colegas foram entrevistados: Iida Helin, finlandesa de 22 anos que cursa Marketing; Thirza Roos, holandesa de 20 anos, também de Marketing; e Afonso Teixeira, português de 21 anos que está cursando Administração — o mesmo curso que o meu.

Estudante Afonso Teixeira em trilha no Morro Dois Irmãos. Acervo Pessoal.

Por que o Rio e por que a ESPM?

Esta primeira pergunta lembrou-me de uma conversa que tive com o meu pai (que é brasileiro) em dezembro do ano passado. Eu nem estava considerando me candidatar para vir ao Brasil, mas o meu pai sugeriu que eu fosse para a ESPM de São Paulo, onde estaria próxima de família e amigos. Eu fiquei surpresa com a sugestão e respondi que, se viesse para a ESPM, teria que ser a do Rio de Janeiro, porque ainda não conhecia muito a cidade. 

Os colegas que entrevistei foram atraídos pelo Rio por diferentes razões. Iida, por exemplo, explicou que, inicialmente, estava pensando em ir para a Suécia ou a Bélgica já que conhecia os respectivos idiomas. Mas uma frase de uma amiga a marcou: “Por que você está indo tão perto se tem a possibilidade de ir para tão longe?”. Ali, Iida pensou em opções, e a cidade do Rio surgiu como uma rota mais concreta. “Também tinha ouvido que o marketing brasileiro é super vibrante”, detalha. “Onde melhor do que na ESPM?”, ela pensou.

Primeiras impressões do campus

O principal tema que os intercambistas sublinharam foi a modernidade e as vistas do campus. Thirza e Afonso revelaram que ficaram surpreendidos assim que pisaram no local: “Você precisa fazer reconhecimento facial ao entrar, o que não acontece nas nossas faculdades de origem”, afirma Thirza. Para além da tecnologia, Thirza também se surpreendeu com a natureza e biodiversidade local do campus. Comigo, a surpresa veio de outra forma. Na minha primeira semana, entrei numa das salas de aula, olhei pela janela e vi uma das sete maravilhas do mundo a estender os braços para mim, o Cristo Redentor, e soube logo que tinha feito a escolha certa em vir para a ESPM Rio.

Conexão entre professor e aluno

Se há um tema que une as quatro experiências é a forma como se ensina e se aprende na ESPM. Iida resume bem o contraste: na Finlândia, as aulas giram em torno de laptops, palestras e relatórios – ou seja, “executar”, como ela define. Enquanto aqui, os professores mostram mais interesse em ouvir as ideias dos alunos e a ensinar de uma forma diferente. Thirza viveu um contraste ainda maior. Na Holanda, é comum estar sentado num auditório com até 100 colegas, ouvindo o professor falar por duas horas seguidas, enquanto os alunos apenas escrevem apontamentos. Na ESPM, as aulas raramente passam de trinta alunos e, nas disciplinas em inglês, há aulas com menos de dez pessoas. Para ela, essa proximidade mudou também a relação com os professores fora da sala: “a distância entre alunos e professores é maior na Holanda, enquanto aqui essa distância é muito menor”, afirma, contando que virou hábito continuar as conversas com os professores depois da aula.

Afonso, que veio de Portugal, aponta para a mesma mudança, mas pela perspectiva de hierarquia. Concordando com Thirza, ele afirma que a distância entre aluno e professor era maior no país de origem, o que, segundo ele, o inibia. Aqui, sente-se “mais à vontade para fazer questões que em Portugal não fazia devido à hierarquia que há”. Também em relação à minha experiência em Madrid, onde as turmas costumam ter cerca de 60 alunos, senti diferença: os professores da ESPM parecem mais parceiros do que figuras de autoridade distantes. Estão sempre dispostos e felizes ao ouvir a opinião dos alunos durante as aulas.

Amizades e convivência

Além dos professores, os alunos também são amigáveis. Iida partilhou que “todo mundo é muito curioso”, sempre a perguntar de onde ela vem e a mostrar interesse genuíno. Thirza teve uma experiência parecida e destacou que “os estudantes internacionais são ótimos, mas os cariocas também são muito acolhedores”.

Já para Afonso, essa convivência não foi tão linear. Ele explicou que “as pessoas que estão nas turmas de inglês, de fato, estão mais abertas a estar com os alunos de intercâmbio. No entanto, nas turmas em que estou com mais alunos de cá, sinto mais dificuldade, porque é mais difícil criar conexões”. Fica claro que, apesar do acolhimento geral, fazer amizade com brasileiros pode depender do tipo de turma em que se está inserido.

Apesar dos desafios de adaptação, é evidente que encontramos nosso lugar por aqui. Como resumiu Iida, “sinto que a ESPM é uma comunidade”. 

Texto: Lunna Souza

Supervisão: Renata Fontanetto