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Crítica: Baile das Luzes (2026)

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No começo do milênio, um francês entra em um baile funk carioca. Foi o que o fotógrafo e diretor Vincent Rosenblatt fez. Não só bailes funk como também o mundo da aparelhagem de Belém e a cultura dos bate-bolas cariocas. A junção de todo o material – fotos, vídeos, entrevistas e histórias – gera a produção do documentário “Baile das Luzes”, que estreou dia 7 de outubro durante a 28ª edição do Festival do Rio.

O documentário inicia tratando dos bailes. Vincent adentra diversas comunidades com a intenção de fotografar a diversão dos jovens ou, como ele diz: “A sensação de êxtase”. O diretor comenta diretamente sobre a maneira como a expressão de liberdade e diversão dos jovens era algo impressionante para ele. Ele também entra em detalhes sobre sua infância e trajetória como fotógrafo, criando um paralelo direto sobre como a evolução natural do seu trabalho seria, eventualmente, a cobertura desses jovens.

A presença de Vincent também era bem-vinda, os frequentadores e dançarinos posavam para ele – afinal, segundo o comentário de um DJ no documentário, era a primeira vez que um fotógrafo entrava dentro de uma comunidade não com a intenção de cobrir morte ou violência, mas, sim, a diversão e a cultura dos moradores. 

Juninho do Quebra, dançarino no “Baile Funk do Francês”. Crédito: Vincent Rosenblatt. Cortesia: Festival do Rio.

Após essa passagem detalhada e cheia de entrevistas pelo mundo do funk, Vincent interrompe completamente o documentário para falar sobre sua criação, sua passagem pela Polônia e como desenvolveu o interesse pela fotografia. Esse momento, por mais que seja um conectivo entre os três atos do documentário, é um pouco desconexo. 

Ao retornarmos à cultura brasileira, começamos a explorar o mundo de aparelhagem de Belém. Aparelhagem são grandes sistemas de som e luz da cultura do Pará, que normalmente acompanham uma trilha sonora chamada de “tecnobrega”. Esse momento do documentário mantém o nível de excelência do primeiro segmento. Entrevistas com personagens interessantes e carismáticos, a importância da atenção dada a essa cultura e é, claro, fotos excelentes em todos os aspectos permeiam a obra. 

Festa de lançamento para o novo “Crocodilo Tudor”, a maior aparelhagem de todas (12 metros de comprimento) na Via Show Clube, em Belém do Pará. Crédito: Vincent Rosenblatt. Cortesia: Festival do Rio.

Por fim, novamente retornamos ao Rio de Janeiro. A reta final do filme trata sobre os bate-bolas, figuras tradicionais do carnaval de rua carioca que usam uma imagem ameaçadora e o barulho de bolas batendo no chão para dar pequenos sustos nas pessoas. Encontrar com eles na rua pode ter sido o medo da infância de muitos.

Contudo, Vincent explora a vida das pessoas debaixo das fantasias. Não só isso, mas também demonstra como o sentimento de medo da população pelos bate-bolas lentamente foi substituído por um sentimento de alegria e orgulho da cultura nacional. As entrevistas realizadas pelo diretor nesse segmento são facilmente as melhores de todo o filme (que é recheado de boas entrevistas).

Dois bate-bolas fantasiados. Crédito: Vincent Rosenblatt. Cortesia: Festival do Rio

As fotos produzidas por Vincent são absolutamente deslumbrantes: seu conhecimento técnico é inegável e sua habilidade também. Cada um dos segmentos, por mais que tenham peculiaridades, apresentam estilos próprios, claramente pensados e intencionais. As fotos dos bailes tendem a ser mais próximas, intimistas, suadas e calorentas. As fotos de Belém são mais amplas, com uma ênfase muito maior nas plateias. Por fim, as fotografias dos bate-bolas podem ser consideradas uma mistura entre os bailes e as aparelhagens. O percurso vale o ingresso. 

 

Confira o Trailer:

Crítica: Pedro Pitta
Supervisão: Renata Fontanetto

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