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Gestão é principal desafio da saúde pública no Rio, avalia especialista

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A gestão da saúde pública está entre os desafios que serão enfrentados pelo próximo governo do Rio de Janeiro. Para o médico Luiz Santini, ex-subsecretário de Saúde do estado, ex-diretor do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e integrante da Comissão Nacional da Reforma Sanitária de 1986, problemas de organização e gestão ajudam a explicar as dificuldades enfrentadas pelo sistema.

A avaliação foi feita em entrevista ao Portal de Jornalismo da ESPM para a série especial de cobertura das eleições, produzida por estudantes para discutir os principais desafios do estado e do país em diferentes áreas.

Segundo Santini, a percepção da população sobre as dificuldades do atendimento público corresponde à realidade do sistema fluminense. Para ele, o problema não está principalmente na falta de profissionais ou de tecnologia, mas na forma como a rede é administrada.

“Essas razões são sobretudo políticas. Dificuldades dos gestores organizarem e estruturarem o sistema de saúde no estado”, afirma Santini.

A rede pública reúne diferentes modelos de prestação de serviços, incluindo unidades diretamente administradas pelo poder público e hospitais geridos por Organizações Sociais de Saúde (OSS). Na avaliação do especialista, independentemente do modelo adotado, problemas de gestão podem comprometer o atendimento.

“Quando a gestão não é bem-feita, quando o tipo de contrato não é realizado corretamente, tanto um quanto o outro tipo de serviço irá falhar eventualmente. Então as falhas de gestão do Estado implicam nos maus resultados em todos os níveis”, ressalta ele.

Santini também critica a distância entre os diagnósticos apresentados durante períodos eleitorais e a execução das medidas prometidas pelos governos. Para ele, a cobrança da população é fundamental para que propostas para a área se transformem em políticas públicas.

“Essa promessa é repetida porque esse problema não é resolvido há anos. O problema é esse, ficar no nível da promessa e não da implementação. É preciso cobrar para que se transforme em alguma coisa efetiva”, afirma o médico.

A discussão sobre saúde pública, portanto, não se limita às propostas apresentadas durante a campanha. Para Santini, a capacidade de organizar a rede e executar as políticas previstas será determinante para que mudanças sejam percebidas no atendimento à população.

Entrevista: Ana Beatriz Caldana e Júlia Luparelli

Reportagem: Leonardo Dutra

Supervisão: Pollyanna Brêtas

Foto de Capa: Secretária de Sáude do Rio de Janeiro