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Dia Internacional da Dança: desafios em meio à pandemia

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O Dia Internacional da Dança é comemorado hoje, 29, em homenagem ao criador do balé moderno, Jean-Georges Noverre. Já no Brasil, pode ser lembrado também como o nascimento de Marika Gidali, bailarina que foi co-fundadora do Ballet Stagium. A prática é uma das expressões artísticas mais antigas, tendo seus primeiros registros na pré-história e sendo associada às técnicas de rituais dos povos da época. 

Para Arabel Issa, mestra em Dança pela Unicamp e coreógrafa em Niterói, a data carrega muitos significados e, por isso, se faz muito importante para o contexto da prática. A professora comenta que a celebração assimila a importância da dança e de sua diversidade, trazendo o reconhecimento de uma arte que serve de manifestação cultural para diversos povos. “O Dia Internacional da Dança pode ser um marco de mobilização entre o público em geral, bem como um incentivo para melhores políticas públicas junto aos governos de todo o mundo”, relata Arabel.  

Com o início da pandemia do coronavírus e a necessidade de medidas restritivas para combater a doença, atividades físicas como a dança precisaram ser paralisadas ou adaptadas para o formato virtual. Segundo Alexandra Alves, professora na Escola Âmbar em Niterói, a adaptação às aulas online foi trabalhosa e muitos alunos desistiram por conta do novo modelo. Para ela, foram muitas mudanças, mas a maior dificuldade foi a falta de motivação. “É muito difícil manter o aluno focado em você, pois como ele está na casa dele, no quarto, muitas coisas tiram a atenção”, ressalta. 

A aluna da La Danse Art & Cia, Giovanna Oliveira, que participou de dois espetáculos em formato online, conta da dificuldade de depender completamente dos aparelhos eletrônicos e o desafio que foi fazer de sua casa um palco. “As salas simultâneas se tornaram coxias e buscamos semelhanças entre as casas como forma de cenário, mexendo na iluminação e posicionamento das câmeras”, disse. Ela ainda lamenta a falta do relacionamento pessoal entre a equipe e o elenco de dançarinos, que costumava ser comum em tempos de pré-pandemia. 

Apesar de afirmar ser um período complexo e delicado, a jovem bailarina tenta enxergar a situação com uma perspectiva diferente. Para ela, a transmissão ao vivo pela internet foi positiva em certos pontos, visto que possibilitou que artistas de diferentes regiões trabalhassem juntos e que telespectadores distantes pudessem assistir. Giovanna afirma se sentir extremamente gratificada ao poder levar entretenimento para a casa das pessoas em um momento tão triste. “Mesmo que virtualmente, foi uma forma de resgatar a arte, de mostrar que ela pode estar presente em qualquer lugar”, conta. 

A dança é um arte que necessita de aglomeração e contato, conta Carlinhos de Jesus, pioneiro na dança de salão no Brasil e famoso coreógrafo carnavalesco. Dessa maneira, este está sendo o grande desafio dos dançarinos durante a pandemia, visto que o distanciamento social é o indicado pelas organizações de saúde. O coreógrafo ainda reflete sobre como o Dia Internacional da Dança representa a valorização da profissão. “É através da dança de salão, minha atividade profissional, que sou respeitado e reconhecido no meu país, então faço questão de comemorar este dia”.

Reportagem: Amanda Domicioli | Filipe Fernandes | Juliana Ribeiro

Supervisão: Bruna Barros | Gabriela Leonardi | Paola Burlamaqui

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