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O cinema francês e sua influência no Brasil

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O hábito de assistir filmes nas salas de cinema é cada vez mais popular nos dias de hoje. Filmes franceses têm encontrado um panorama favorável de crescimento entre o público estrangeiro, inclusive, o brasileiro. Além disso, ocupam a terceira posição em produção de cinema e a segunda na divulgação de filmes no mercado mundial, sendo exibidos por distribuidores independentes.

A cinematografia francesa é conhecida por sua importante crítica e premiação. Um exemplo disto está no Festival de Cannes, que é um dos mais prestigiados e famosos do mundo há mais de 70 anos. Apesar de forte credibilidade, sua popularidade não é tão grande quando comparada aos filmes norte-americanos, mais específico, em Hollywood, Los Angeles. 

De acordo com o crítico de cinema, Felippo Pitanga, o cinema gálico se sobressai em alguns aspectos em relação ao norte-americano. “O cinema francês teve algumas vantagens sobre o americano logo no início da gênesis dessa arte. Até porque quando os irmãos Lumière criaram essa arte, o conceito não era só com a câmera nos primeiros filmes, mas também com a primeira exibição pública de cinema”.

No Brasil, a quantidade de festivais de películas francesas está crescendo cada vez mais. Existem edições de diversas formas: nacionais, locais, digitais, dentre outros. Esses são exibidos em diversos festivais como o Festival Varilux, o de Francofonia, My French Film e Fest France.

Wanderley Teixeira, crítico de cinema que frequentou o Festival Varilux, comentou que os organizadores todo ano buscam trazer no catálogo títulos do gênero. “O público tem uma tendência a estereotipar esses cinemas. No Brasil, o cinema francês ganhou uma etiqueta, um status, de filme de qualidade, quando na verdade a gente tem uma cinematografia muito diversa por lá, contemplando como em qualquer lugar filmes bons e ruins. No entanto, eu percebo na plateia que somente pelo fato de ser francês parece existir uma grife, um certo status. Por sua vez, o brasileiro ainda tem um certo pé atrás com o cinema nacional, ainda é uma cinematografia taxada de forma preconceituosa. Nos últimos anos, eu percebo a existência de dois pólos, a aceitação massiva do público geral às comédias de apelo televisivo da Globo Filmes e um nicho que obtém êxito no circuito alternativo”, completou.

O festival ocorreu no Brasil no último mês de junho.
Foto: Divulgação/Festival Varilux

O Festival Varilux é voltado para exibições mais recentes do cinema francês e, no ano passado, os filmes franceses foram exibidos em mais de 80 cidades espalhadas pelo Brasil. Esse ano o festival completou 10 anos e 180 mil pessoas compareceram. Na sua primeira edição, em 2009, Varilux alcançou 9 cidades brasileiras e 22 mil espectadores.

Um dos filmes mais conhecidos no Brasil e que reflete a imagem de que muitos brasileiros possuem sobre a cidade de Paris é “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” lançado em 2001, na França. A comédia “Os Intocáveis”, de 2011 e o filme “Azul É a Cor Mais Quente”, de 2013, são filmes recentes que fizeram grande sucesso por aqui. De outro lado, o cinema brasileiro também é bastante conhecido na França. “Terra em Transe”, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Orfeu do Carnaval” são exemplos de filmes daqui que tiveram grande índice de espectadores franceses.

Embora o cinema nacional faça sucesso na França, quando voltam para o Brasil, costumam não receber o mesmo apoio pelo próprio público brasileiro, como afirma Felippo: “Os distribuidores sempre veem os filmes brasileiros que estão fazendo sucesso nos festivais franceses, como o de Cannes, para trazer para o Brasil. Porém, às vezes tem a síndrome da rejeição ao filho pródigo. O bom filho à casa torna nunca foi um bom ditado para o brasileiro, vide os principais expoentes do Brasil.”

Apesar de contar com muita semelhança e influências, os dois cinemas tem suas desavenças. Para Roberto de Matos, produtor do FESTiFRANCE, atualmente residente da França, é necessário maior investimento nacional. “O tipo de incentivo que existe na frança, que é o país que mais produz no mundo, é diferente do que tem no Brasil, pela Agência Nacional de Cinema (ANCINE). O que existe aqui não é um estatuto de cinema, mas sim uma cópia em grande parte do modelo francês e do modelo alemão.”. O produtor ainda reiterou dizendo que de 10 anos pra cá, o Brasil viveu um regresso no cinema e que não carecemos de talento, mas sim de investimento.

Matéria produzida por: Carolina Mie, Lucas Pires, Mariana Colpas, Patrick Garrido, Pedro Cardoso e Yuri Murta

Agradecimento: Coisa de Cinéfilo

 

 

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