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Jornalismo em tempos de espetáculo

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O sequestro de um ônibus parou a ponte Rio-Niterói na manhã de hoje, dia 20 de agosto. O sequestrador manteve, por mais de três horas, 37 reféns sob ameaça de uma arma de brinquedo, um taser (arma de eletrochoque), isqueiro e gasolina. Durante todo o sequestro, o incidente foi transmitido ao vivo pela imprensa sendo acompanhado de dentro do ônibus pelo próprio tomador.

Reprodução: Tv Globo

A cobertura midiática deste e outros casos de sequestros é questionável, pois alguns especialistas acreditam que tais divulgações atrapalham as negociações e logística das operações. A doutora em Comunicação e Cultura, Talitha Ferraz, explica que o jornalismo precisa ter um limite nas coberturas ao vivo, principalmente em tempos de redes sociais. De uma forma geral ela questiona a forma como algumas informações são publicadas, como a localização de um atirador de elite (snipers) no local, “é preciso ter muito cuidado com detalhes de estratégia, avaliar muito bem se devem ser divulgados”, destaca Talitha.

Alexandre Freitas, deputado estadual do partido NOVO concorda. Para ele, a divulgação das informações deve ser controlada. “A transmissão ao vivo em uma ação em curso é complicada. Nunca se sabe quando o criminoso tem acesso à imagem”, explica. 

Ainda segundo Talitha Ferraz, o repórter deve prestar o serviço à população através da informação, respeitando a ética jornalística. Para ela, o profissional “não deve se tornar personagem ou uma ferramenta de recondução do acontecimento”. Em 2008, durante a cobertura televisiva, Sônia Abraão conversou ao vivo com o sequestrador da menina Eloá por cerca de 30 minutos. Para muitos a atitude de Sônia Abraão pode ter contribuído para o desfecho trágico. Para Talitha, “o jornalista não negocia, jornalista não é advogado, não tem essa razão”. 

O jornalista Luiz Edmundo Araújo, que cobriu o sequestro do ônibus “174” e foi responsável pelo perfil do sequestrador, Sandro Barbosa Nascimento, acredita o contrário. Para ele, não há muito o que se fazer quanto à reportagem. Ele diz que o tempo jornalístico tem que acompanhar o tempo do acontecimento, “a polícia tem que estar preparada e saber que vai ter cobertura. Se o caso for resolvido em menor tempo, a cobertura será menor, mas não tem como não ter cobertura”, analisa.

O sequestro do ônibus na ponte Rio-Niterói terminou com o sequestrador morto com seis tiros, e todos os reféns foram liberados.

Reportagem: Ana Júlia Oliveira, Carolina Oliveira, Diana Campos, João Victor Thomaz, Juliana Anjos, Renan Adnet e Yan Lacerda

3 Comentários

  1. Mercedes Chijner 20 de agosto de 2019

    Acho que hoje em dia, seria muito difícil limitar a ação dos jornalistas.
    A competição é muito grande.
    Como assinante de TV a cabo , procuro sempre a melhor forma de acompanhar.
    Hoje surfei entre Globo, Globonews, Record, Band e Bandnews.
    Hoje essa é a realidade. Cabe as autoridades, combinar com a imprensa o que é mais viável, na situação.
    Mas não nego, que em alguns momentos, a imprensa ultrapassa os limites .

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  2. Marli Sciammarella Lima 20 de agosto de 2019

    Bom documentário feito hoje sobre o sequestrador de um ônibus com 37 reféns. Parabéns a equipe que relatou o mesmo e ao Yuri Murta que trouxe ao nosso conhecimento essa reportagem.

    Responder
  3. Adriano Soares 21 de agosto de 2019

    Acho que numa situação de crise, seria mais correto que os profissionais tomassem o cuidado devido para não promoverem um desserviço, nesse caso por exemplo, estava em jogo a vida de 39 reféns.
    Parabéns aos alunos por levantarem essa questão.

    Responder

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