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Em busca de uma segunda chance

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A crise dos refugiados gera mudanças na forma de pensar em questões humanas, além de ser caracterizada como uma das mais preocupantes da atualidade, segundo a ONU. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, ACNUR, alertam sobre o número de pessoas que saíram de suas nações em 2018, que alcançou a marca de 70,8 milhões. Destes, 36,5% são refugiados, ou seja, pessoas que abandonaram seus países de origem devido a perseguições, sejam por motivos políticos, raciais, questões de gênero ou religiosas.

No Brasil, de acordo com o Comitê Nacional para Refugiados, Conare, foram emitidos mais de 11 mil vistos para refugiados, de um total de 161 mil que solicitaram o refúgio. Para suprir a crescente demanda, diversos projetos surgiram em busca de auxiliar essas pessoas. Um deles é a Cáritas, uma das organizações que atende os solicitantes no país. No Rio de Janeiro, foram feitos 6 300 atendimentos apenas no primeiro semestre de 2019.

A organização não apenas acolhe, mas também orienta o processo de refúgio e a integração na cidade. “Nós temos um curso de português, temos parcerias com empresas para inserção no mercado de trabalho e rodas de conversa”, explica Diogo Félix, assessor de comunicação da Cáritas. Além disso, a organização esclarece dúvidas sobre as leis no Brasil e sobre comportamentos considerados adequados no país: “Fazemos isso para eles entenderem como é a vida no Brasil, já que é tudo muito novo”.

Visando a inserção através da geração de renda, o Abraço Cultural surgiu como uma forma de empregar refugiados e solicitantes de refúgio que possam ensinar aos brasileiros o idioma e a cultura de seus países por um preço mais acessível. Carolina Vieira, coordenadora e co-fundadora do Abraço, conta que os acolhidos vem de países que os brasileiros não têm familiaridade ou dos quais tenham um pensamento regado de preconceitos. Essa é uma das razões principais para a importância da união de povos: “A troca de cultura é válida e benéfica para os dois lados”.

Ao longo dos quatro anos de projeto, foram cerca de 2.700 alunos e mais de 50 refugiados capacitados para atuar nas salas de aula. Atualmente são 12 professores de diversas nacionalidades, tais como a República Democrática do Congo, Marrocos, Haiti, Síria e Venezuela, que ensinam aos brasileiros o inglês, espanhol, francês e o idioma árabe. “Já tivemos pessoas que entraram no Abraço focadas na questão da renda, e acabaram escolhendo a profissão de professor como algo para levar para o futuro”, completa Carolina.

 

Porta do Cáritas RJ/ Foto: Bárbara Beatriz Camello

Também buscando a geração de renda autônoma, o Centro de Atendimento aos Refugiados organiza a Feira da União, em Botafogo. Lá, refugiados e imigrantes podem vender parte da sua cultura, como adereços, peças de vestuário e até mesmo produtos da gastronomia típica de seus países. Sanna Bah tem 17 anos e veio para o Rio como refugiado da Gâmbia, a menor nação do território africano. Na Feira, vende as roupas produzidas pela família.

 

O gambiano está no Brasil há quase dois anos buscando mais oportunidades: “Eu vim aqui para jogar bola e estudar”. Ele vê no futebol uma forma de integração e jogou pela Guiné Bissau, outra nação africana, a copa dos refugiados em 2018. “Esse ano ainda eu quero participar de testes para entrar em algum clube do Rio de Janeiro. Meu sonho é conseguir entrar no Botafogo”, completa Sanna Bah.

Reportagem: Bárbara Beatriz Camello e Diana Campos

 

 

 

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