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Educação sexual em análise

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A educação sexual busca explicar e orientar a população sobre a psicologia, anatomia e comportamentos relacionados à reprodução humana. Ao tratar do tema nas escolas, há controvérsias, uma vez que surgem perguntas como o por quê, quando e de que forma falar sobre. Ainda assim, de acordo com uma pesquisa divulgada pela Datafolha, 54% da população é a favor dessa educação nas instituições de ensino. 

Em outros países como a Holanda, a educação sexual é tratada como natural e saudável, por isso ocorre a aplicação de programas frequentemente em todo país. Sua taxa de gravidez na adolescência está entre uma das mais baixas do mundo. Desde os quatro anos de idade as crianças recebem orientações, com abordagens diferenciadas de acordo com a faixa etária nas escolas. Essa educação inclui lições como consentimento, DSTs e prazer.

No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Educação (SME), pelo Programa Saúde na Escola realiza atividades com o objetivo de contribuir para a formação integral dos estudantes. Por meio de prevenção e atenção à saúde,  ajudam a diminuir as vulnerabilidades que comprometem o desenvolvimento de crianças e adolescentes na trajetória escolar. Em 2019, em uma atividade inédita, a SME está reunindo alunos e responsáveis em rodas de bate-papo, chamadas de “Conversa entre os Pares”. Com o objetivo de debater temáticas diversas com alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental de mais de 100 escolas da Prefeitura do Rio, assuntos como a Educação Sexual e Doenças Sexualmente Transmissíveis são abordados.

Segundo o sexólogo, psicanalista e jornalista, Marcelo Bernstein: “começar a tratar do assunto na pré-adolescência e na adolescência de maneira didática, sem estereótipos e com muita transparência, é o momento bastante adequado para você começar uma trajetória de educação sexual”. O doutor também disse que é importante ir avançando com esse assunto até o Ensino Médio, e, com isso é possível ter um panorama mais completo de como funciona a mente dos jovens.

A educação sexual nas escolas ainda é um assunto considerado um tabu na sociedade. Falar sobre esse tema de forma séria e responsável permite que alguns problemas sejam evitados, como, por exemplo, a gravidez precoce. Apesar de reconhecer a importância deste estudo, especialistas divergem sobre a faixa etária correta e a forma de como é apresentada a aula para os alunos. 

Para Carla Licht, professora concursada e atuante como diretora, o tema deve ser abordado na adolescência, uma vez que os estudantes já possuem maturidade para compreender a questão. “Não sou contra desde que seja algo planejado e orientado também, para que as famílias entendam tal importância.”, completa. 

Em uma visão mais ampla sobre o tema, a educação sexual ajuda na melhor compreensão e resulta em menos violência contra a população LGBTQ+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Queer) e contra a mulher. Pautas que estão sendo bastante abordadas no Brasil, que ainda possui alto índice de violência e, de acordo com o Grupo Gay Bahia (GGB), no país, ocorre uma morte por homofobia a cada 23 horas. 

“As pessoas acreditam que você não tem o direito de ser diferente, precisa estar dentro da norma, ou então é encarado como algo que ameaça essa norma. É a base das fobias, homofobia…”, reiterou o sexólogo, Marcelo. Acima de tudo, por ser psicanalista, sua preocupação é que o indivíduo faça um projeto de si próprio que faça sentido para ele. 

Reportagem por: Carolina Mie, Lucas Pires, Mariana Colpas, Pedro Cardoso e Yuri Murta

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