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Cachaça: mais que uma bebida

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A cachaça é a bebida destilada mais produzida pelo Brasil. Sua origem vem de meados do século XVI, quando os portugueses trazem para o país a cana de açúcar e os nativos começam a produzir uma aguardente a partir da agricultura desta planta. Porém, no século seguinte, ela foi proibida em território nacional. Isso aconteceu porque o comércio da bebida começou a atrapalhar o mercado da bagaceira portuguesa, formada pelo destilado do bagaço de uva, e do Vinho do Porto. “A cachaça é um patrimônio cultural e vai além da bebida, porque é tipicamente brasileira concebido ao longo de muitas gerações”, explica Daniel Andreolli, de 49 anos, especialista em Marketing da Companhia Müller, responsável pela Cachaça 51.

A exportação de cachaça no Brasil superou os 14 milhões de dólares em 2018, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “A cachaça é uma mercadoria que representa o Brasil no exterior. Os profissionais de marketing de Portugal, Espanha e Inglaterra valorizam muito esse pedaço do Brasil dentro da garrafa”, conta Daniel. Apesar disso, ele comenta que a bebida ainda sofre preconceito no país. “Esse preconceito contra o produto deveria deixar de existir, quando a pessoa consome bebidas alcoólicas em exagero, usam a palavra ‘cachaceiro’ como se fosse uma expressão negativa, o que não é justo”, completa.

A cachaça é considerada como patrimônio cultural brasileiro não só por seu contexto histórico, mas também por sua importância econômica. Mas não por isso é simples produzi-la no país. Ana Luiza Faria, de 51 anos, sócia da Cachaça Magnífica, conta as dificuldades do processo: “Nós somos uma empresa familiar, então quando a gente começou a vender, como fazemos uma cachaça de alambique, mais refinada, o nosso preço era mais caro do que uma cachaça que é feita em coluna, que são as chamadas industriais”. Ana fala que ainda hoje, em bares sofisticados, a maioria encontrada são as cachaças baratas, produzidas em larga escala.

Segundo Marcelo Câmara, cachaçólogo de 69 anos, a legislação brasileira favorece a produção de cachaças industriais. “Essas leis ainda precisam ser muito aperfeiçoadas. Não há a fiscalização correta, e isso gera a fabricação de muitas bebidas medianas e ruins”. Marcelo ainda afirmou que muitas pessoas definem o dia 13 de setembro como Dia Nacional da Cachaça, mas que isso é errado, uma vez que essa comemoração ainda é um projeto de lei que precisa de aprovação. “Comemorar o dia da cachaça é a mesma coisa que dizer que vamos comemorar o dia do estado de Santa Inês, não existe estado de Santa Inês no Brasil”.  No entanto, ele é a favor da criação dessa data comemorativa, para que haja mais valorização da bebida no país.

Reportagem: Bárbara Beatriz Camello, Felipe Roza, Maria Luísa Martins e Nestor Ahrends.

 

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